Trump sinaliza novas concessões a Putin pelo fim da guerra na Ucrânia

Atualizado em 8 de novembro de 2026 às 16:10
O presidente Donald Trump. Foto: Divulgação

O governo de Donald Trump sinalizou ao Kremlin disposição para ampliar concessões a Vladimir Putin em troca de uma negociação que encerre a Guerra da Ucrânia. A possível abertura inclui pontos que o presidente russo apresentou ao Ocidente antes de ordenar a invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.

Quatro pessoas com conhecimento das conversas em Moscou relataram que Washington cogita retomar exigências formuladas por Putin no fim de 2021. Uma delas integra a equipe russa que deve participar das próximas tratativas com representantes ucranianos em Abu Dhabi.

Entre as condições russas estão a consolidação da perda de quatro regiões ucranianas ocupadas, a neutralidade de Kiev e a ausência de apoio da Otan à Ucrânia. Putin também busca algum tipo de redução das forças militares da aliança no Leste Europeu, especialmente nos Estados Bálticos.

Em contrapartida, o Kremlin teria admitido discutir um cessar-fogo antes da assinatura de um acordo de paz definitivo. A trégua poderia ocorrer no fim de março de 2027, durante a primavera europeia, embora os interlocutores tenham ressaltado que as hipóteses ainda não configuram um entendimento fechado.

Bombeiro ucraniano combate incêndio após ataque russo em Kharkiv
Bombeiro ucraniano combate chamas após ataque com mísseis russos em Kharkiv. Foto: Reprodução

As negociações diretas entre Rússia e Ucrânia estão previstas para terça-feira (10) e quarta-feira (11), em Abu Dhabi, sob mediação dos Estados Unidos. A França afirmou neste domingo (8) que países europeus devem participar de alguma forma das conversas, enquanto uma pausa nos combates em torno da cidade sitiada de Olechki passou a ser citada como possível modelo para uma trégua mais ampla.

A inclusão da Otan em um acordo mais abrangente enfrenta resistência entre os integrantes da aliança. Polônia e Lituânia dificilmente aceitariam a retirada de tropas para as fronteiras existentes em 1997, antes de sua entrada no bloco; decisões da Otan exigem consenso entre os países-membros.

Jared Kushner, genro de Trump e negociador do governo ao lado de Steve Witkoff, aumentou a preocupação europeia ao defender um arranjo que trate das relações entre Rússia e Europa. Ele mencionou “consultas de segurança permanentes, comunicação de crise confiável, maior transparência militar, medidas recíprocas para reduzir riscos escalatórios e um arcabouço durável de longo prazo para a segurança europeia”.

A formulação não cita demandas da Ucrânia e alimenta o temor de que Volodimir Zelenski seja pressionado a aceitar a perda de cerca de 20% do território ucraniano ocupado pela Rússia. Moscou também rejeita a proposta europeia de criar uma força de paz permanente em território ucraniano.

Putin manteve a pressão militar e promoveu um grande ataque contra a Ucrânia no sábado (7). Fontes ouvidas em Moscou afirmam que o Kremlin pretende intensificar os ataques contra a infraestrutura energética ucraniana antes do inverno; dados vazados do serviço estatístico russo indicaram ao menos 450 mil mortos russos na guerra, em sua maioria militares.

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