Trump terá que reconhecer a derrota ou dobrar as apostas no golpismo. Por Luis Felipe Miguel

O presidente Donald Trump – Mandel Ngan/AFP

Originalmente publicado em FACEBOOK

Por Luis Felipe Miguel

Hoje, quando se esgota o prazo do envio dos votos para o Colégio Eleitoral, Trump terá que reconhecer a derrota – ou dobrar as apostas no golpismo. Parece que nem o tipo de golpismo está definido: ele oscila entre tentar ficar com a presidência ou ficar com o dinheiro arrecado nas campanhas de financiamento da batalha judicial para tentar ficar com a presidência.

Para Biden, a crer na história, as perspectivas também podem não ser tão boas. Há tempos se fala da maldição dos presidentes estadunidenses eleitos para o primeiro mandato em anos terminados com zero.
O primeiro foi Thomas Jefferson, em 1780, mas não conta porque a maldição só começou com a 12ª emenda, que regulou as eleições presidenciais, ratificada em 1804.

Em 1820 foi reeleito James Monroe e a maldição só conta para quem ganha seu primeiro mandato em ano terminado com zero.

Então começa com William Henry Harrison, eleito em 1840, que pegou um resfriado e bateu as botas depois de apenas um mês na presidência. Em 1860, foi eleito Abraham Lincoln, assassinado no início do segundo mandato, em 1865. Em 1880, ganhou James Garfield, que levou um tiro antes de completar quatro meses de presidência e morreu de infecção dois meses e meio depois.

Em 1900, houve reeleição. Mas em 1920 elegeu-se Warren Harding, que teve um mal súbito e morreu em 1923. Em 1940, ganhou Franklin Roosevelt – ele morreu no cargo, em 1945, mas como já era sua terceira eleição não conta para a maldição. Em 1960, o vitorioso foi John Kennedy, que como todos sabemos foi assassinado em 1963.
Em 1980, foi Ronald Reagan, que escapou com vida, mas por pouco – logo no início do mandato foi baleado num atentado.

George W. Bush, eleito em 2000, saiu incólume, o que pode servir de prova adicional de que sua vitória foi fraudada – ele mudou o curso da história e anulou a tragédia que estava programada para atingir Al Gore.
Sem querer agourar Biden, mas no espírito do “que las hay, las hay”, há boas chances de que Kamala Harris cumpra o vaticínio que vi nessas redes sociais e se torne “a primeira mulher negra a determinar o bombardeio de um país do Terceiro Mundo”.