
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que integrantes do governo de Donald Trump tomaram partido por Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. Em entrevista ao Estadão, o chanceler disse que caberá aos eleitores avaliar nas urnas uma eventual ingerência estrangeira.
“Tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens. Isto tudo só será decidido pelo povo brasileiro, pela vontade majoritária do povo brasileiro nas eleições no dia 25. Isso é que vai decidir o rumo e para onde vai o Brasil”, afirmou Vieira.
O chanceler também reagiu às ameaças de aliados de Flávio Bolsonaro de promover uma “faxina” no Itamaraty caso o senador vença a disputa. Vieira classificou como “péssimo sinal” a proposta de criar uma equipe para coordenar posições com os Estados Unidos antes de uma eventual mudança de governo.
Para o ministro, uma transição deve ocorrer entre a administração que deixa o poder e a que assume, como prevê o rito democrático. “Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal”, disse.

Chanceler critica ameaças contra diplomatas do Itamaraty
Vieira citou declarações de aliados de Flávio sobre mudanças no Ministério das Relações Exteriores, entre elas a possibilidade de transferir embaixadores que tenham se manifestado politicamente. O ministro defendeu que agentes públicos não devem sofrer ameaças de retaliação.
“Numa democracia você não ameaça, você dialoga, conversa, negocia”, afirmou. Segundo ele, reportagens identificaram a intenção de formar um comitê para coordenar posições entre um eventual governo de Flávio Bolsonaro e os Estados Unidos.
O chanceler defendeu o caráter institucional do Itamaraty e classificou a carreira diplomática como estratégica, especialmente em um cenário de contestação ao multilateralismo. Ele afirmou que qualquer tentativa de desarticular a estrutura do ministério prejudica o interesse nacional.
Apesar das críticas às propostas atribuídas a aliados do candidato do PL, Vieira disse que o governo Lula cumprirá o rito democrático de transição se Flávio Bolsonaro vencer a eleição. “A democracia pede o diálogo”, declarou.