
Quase um ano depois de anunciar a ideia em um comício em Des Moines, no Iowa, Donald Trump cumprirá uma de suas promessas mais inusitadas: transformar os jardins da Casa Branca em palco para uma edição especial do UFC.
No próximo domingo (14), será realizado o UFC Freedom 250, evento que integra as comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. A data coincide também com o aniversário de 80 anos do presidente americano. Para receber o espetáculo, uma arena foi montada no gramado sul da Casa Branca, onde ocorrerão sete lutas.
A iniciativa acontece em meio a um cenário ruim para Trump. Os Estados Unidos seguem envolvidos na guerra contra o Irã, a inflação voltou a superar 4%, sua aprovação caiu nas pesquisas e o conflito entre Rússia e Ucrânia continua sem solução, apesar das promessas feitas pelo presidente durante a campanha.
Além do UFC, Trump tem se dedicado a uma série de projetos paralelos. Anunciou um grande comício em Washington, planeja uma corrida da IndyCar nas ruas da capital e conduz obras de infraestrutura e monumentos na região da Casa Branca. Entre elas estão a construção de um novo salão de eventos, um complexo subterrâneo militar e um grande arco próximo ao Cemitério Nacional de Arlington.
Historiadores e analistas políticos apontam que presidentes anteriores também promoveram obras e eventos comemorativos. Mas, segundo o professor de História da Universidade de Princeton Julian Zelizer, a escala e o simbolismo dos projetos de Trump são diferentes.
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— Clash Report (@clashreport) June 14, 2026
“Além da dimensão física e simbólica que isso ocupa em sua presidência, acontece num momento em que o país está no meio de uma guerra. Isso também levanta questões sobre conflitos de interesse”, afirmou.
As críticas aumentaram por causa da relação entre Trump e o UFC. O presidente mantém uma amizade de décadas com Dana White, presidente da organização profundamente corrupta. Trump possui participação financeira em uma empresa ligada ao grupo proprietário do UFC.
A Casa Branca rejeita qualquer irregularidade. O governo afirma que os custos do UFC Freedom 250 estão sendo pagos pela própria organização e que não há uso extraordinário de recursos públicos. Documentos judiciais, porém, mostram que mais de sete órgãos federais participaram da coordenação do evento.
Para Zelizer, a escolha do UFC como símbolo dos 250 anos dos Estados Unidos também chama atenção. “O UFC não tem nada a ver com a história americana. Não se trata da Independência nem dos fundadores do país. Isso reflete preferências pessoais, amizades e interesses políticos”, afirmou.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 16% dos americanos consideram apropriado realizar lutas de artes marciais mistas nos jardins da Casa Branca. Mesmo entre republicanos, o apoio não é majoritário.
Enquanto isso, o UFC Freedom 250 promete ser um dos maiores eventos da história da organização. Entre as atrações está o brasileiro Alex “Poatan” Pereira, que disputará o cinturão interino dos pesos-pesados contra o francês Ciryl Gane.
“Com certeza sei da importância. Sei que é um evento gigantesco, nunca participei de nada igual. Mas a minha preocupação é com a luta. Quero dar um grande show para os fãs”, afirmou.
