
O governo de Donald Trump usou dados de desmatamento registrados durante a gestão de Jair Bolsonaro para justificar a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirma que o desmatamento ilegal reduz artificialmente os custos de produção e prejudica a competitividade de produtores estadunidenses. Com informações do Globo.
O documento destaca que o desmatamento na Amazônia atingiu em 2021 o maior nível em 15 anos, período em que a floresta perdeu cerca de 13 mil km² em um único ano. O texto afirma que o Brasil falhou em aplicar adequadamente suas leis ambientais e cita o enfraquecimento da fiscalização como fator para a expansão do problema.
O relatório, porém, não menciona a redução recente das taxas de desmatamento. Dados do Inpe indicam queda de 50% na Amazônia e de 32% no Cerrado entre 2022 e 2025. Levantamento do MapBiomas também apontou que a perda de vegetação em 2025 foi a menor desde o início da série histórica da entidade.

Em diversos trechos, o USTR relaciona a expansão da agricultura à derrubada de florestas e sustenta que produtos brasileiros seriam beneficiados por custos menores decorrentes da ocupação ilegal de áreas desmatadas. O órgão também cita fragilidades na fiscalização ambiental e no controle do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Especialistas ouvidos pelo jornal criticaram a justificativa adotada pelo governo Trump. Para Márcio Astrini, do Observatório do Clima, a Casa Branca utiliza um problema real para sustentar uma disputa comercial. Já Ane Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, afirmou que os resultados recentes no combate ao desmatamento não justificariam a adoção de sanções econômicas contra o Brasil.