
O especialista americano Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, afirmou que, após a operação militar que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, Donald Trump continuará sua intervenção na América Latina. Ele acredita que Trump deseja transformar o país “em uma colônia econômica dos Estados Unidos”, com foco no petróleo do país.
Segundo o professor, “os Estados Unidos querem controlar a produção petrolífera da Venezuela”, independentemente do regime, o que resultaria em “mais do mesmo sofrimento para o povo venezuelano”. Langer também apontou que, após a prisão de Maduro, o governo dos EUA poderia apoiar Delcy Rodríguez, a vice-presidente da Venezuela, em vez de María Corina Machado, uma das líderes da oposição.
Langer destaca que “Rodríguez é mais manipulável que María Corina”, que, apesar de ter apoio popular, seria mais difícil de controlar. Langer ainda aponta que “Trump não quer María Corina no poder, pois ela não seria tão manipulável quanto Rodríguez, embora ambas busquem abrir o mercado para o petróleo estrangeiro”.
O professor acredita que as ações do republicano na América Latina têm como objetivo “dominar economicamente a região”, e que sua interferência nas eleições de outros países, incluindo o Brasil, pode prejudicar a direita. O especialista afirma que “o nacionalismo falaria mais forte” diante da intervenção de Trump, e que “o Brasil é o grande contrapeso contra as investidas dele”.

“Tenho certeza de que Trump vai se meter, quando puder. Mas acho que os povos não se deixam vender. Mas claro que temos que pensar no que aconteceu com Milei, quando os Estados Unidos anunciaram ajuda de US$ 20 bilhões”, apontou.
Ele também sugere que, ao tentar influenciar as eleições no Brasil, Trump acabaria fortalecendo o nacionalismo. “A interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais”, prosseguiu.
Para ele, “se Lula continuar sendo forte e se continuar assim, muito contido com o que aconteceu na Venezuela — porque, na verdade, foi muito contido —, esta calma continuará sendo uma potência contra a direita”. Langer diz que o Brasil é o único país “grande o suficiente para para Trump e dizer ‘chega’ aos Estados Unidos”.