Trump volta a criticar Lula: “Ele é volátil e eu não poderia me importar menos com ele”

Atualizado em 19 de junho de 2026 às 17:18
Trump em entrevista ao Axios

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a críticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista ao programa The Axios Show.

Ao comentar sua relação com líderes mundiais, o republicano afirmou que considera Lula uma pessoa “muito volátil” e declarou que não dedica atenção ao presidente brasileiro.

Falando do que presenciou no G7, Trump contou que “viu o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil”.

O entrevistor Marc Caputo atalhou: “Você não é um grande fã de Lula…”

“Não se trata de ser fã ou não ser fã. Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem. Existem todos os tipos de pessoas”.

A fustigada ocorre após Trump defender os Bolsonaros e agredir o Brasil em coletiva no G7, em Evian, na França, confirmando uma hostilidade cada vez mais aparente.

Enquanto reservou comentários negativos ao presidente brasileiro, Trump adotou um tom bastante diferente ao falar de outros líderes internacionais. O republicano elogiou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmando que ele é respeitado globalmente e que conseguiu manter seu país distante de conflitos militares. “Modi é um grande líder”, disse.

Trump também fez elogios ao presidente da China, Xi Jinping, com quem afirmou manter uma relação próxima. Segundo ele, chegou a pedir pessoalmente ao líder chinês que Pequim não se envolvesse no conflito envolvendo o Irã. “Eu disse que realmente apreciaria se ele não se envolvesse. E ele foi ótimo. Não se envolveu”, afirmou.

Ao comentar Xi, Trump destacou características que considera positivas. “É tudo negócios, e eu gosto disso”, declarou. Em outro momento da entrevista, descreveu o dirigente chinês como alguém de “grande confiança” e “inteligente”.

As declarações reforçam um padrão frequente da atuação de Trump: alternar ataques a aliados e adversários, muitas vezes elogiando líderes autoritários ou rivais geopolíticos dos Estados Unidos, enquanto direciona críticas a chefes de governo de países parceiros. Vive num comportamento errático, quando não está cochilando em reuniões públicas ou bombardeando escolas de crianças.

Na mesma entrevista, Trump afirmou que não enxerga limites para o próprio poder após a assinatura de um acordo com o Irã que recuou de várias das exigências apresentadas inicialmente por Washington.

A visão de Trump sobre si mesmo também aparece em um novo livro dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, chamado “Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump” (“Mudança de Regime: Por Dentro da Presidência Imperial de Donald Trump”).

Segundo os autores, o presidente costuma exibir um documento que sustenta a tese de que ele seria mais poderoso do que figuras históricas como Alexandre, o Grande, Gêngis Khan, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. Ele postou esse trecho em sua rede Truth Social.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.