Trump xinga deputadas muçulmanas de “loucas” e as ameaça com deportação

Atualizado em 25 de fevereiro de 2026 às 22:20
As deputadas democratas Ilhan Omar, de Minnesota, e Rashida Tlaib, de Michigan, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (25) que as deputadas democratas muçulmanas Ilhan Omar e Rashida Tlaib deveriam ser “internadas” e enviadas de volta “para seus países de origem”, após críticas feitas por ambas durante seu discurso sobre o Estado da União.

As duas parlamentares, cidadãs americanas, haviam contestado a política migratória de linha dura do governo e suas ações de fiscalização.

Durante o discurso na terça-feira (24), Tlaib, americana de origem palestina, e Omar, americana de origem somali, interromperam o presidente com críticas, gritando “você está matando americanos”, enquanto Omar também o chamou de “mentiroso”.

Em resposta, Trump publicou na rede Truth Social que as congressistas “tinham os olhos esbugalhados e vermelhos de pessoas loucas, lunáticas, mentalmente perturbadas e doentes”.

“Francamente, parecem que deveriam ser internadas. Deveríamos mandá-las de volta para seus países de origem — o mais rápido possível”, escreveu Trump, apesar de ambas serem nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos.

O republicano também voltou a acusar comunidades somalis nos EUA de envolvimento em fraudes e afirmou que “piratas somalis” teriam saqueado Minnesota, justificando o envio de agentes federais armados ao estado.

Organizações de direitos humanos dizem que a ofensiva criou um clima de medo e acusam o governo de usar casos isolados para ampliar a repressão contra imigrantes.

Reações e críticas

A declaração provocou forte reação entre democratas e organizações de direitos civis. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou a fala como “xenófoba” e “vergonhosa”. Tlaib afirmou que os comentários demonstram que “ele está em crise”.

O Conselho de Relações Americano-Islâmicas também condenou a postura do presidente. “É racista e intolerante dizer que duas parlamentares muçulmanas americanas deveriam ser enviadas para o país onde nasceram ou de onde vieram seus ancestrais, com base em suas críticas às mortes de americanos pelo ICE”, disse Edward Ahmed Mitchell, vice-diretor nacional da entidade. A Casa Branca não comentou o caso.