TSE adia análise e mantém censura a pesquisa que mostrou derretimento de Flávio Bolsonaro

Atualizado em 9 de junho de 2026 às 21:29
Nunes Marques TSE
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Foto: Luiz Roberto/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou nesta terça-feira (9) a análise da decisão individual de Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A sessão foi interrompida após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com isso, a decisão de Nunes Marques segue valendo até a retomada do julgamento, ainda sem prazo definido.

Antes da interrupção, Nunes Marques votou para manter a suspensão da pesquisa. O ministro é presidente do TSE e relator da representação apresentada pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro.

Durante a sessão, Nunes Marques chamou atenção para uma pergunta específica do levantamento. “Chamo a atenção também para o quesito número 11, que, ao meu sentir, afigura-se construído sobre pressuposição capciosa, pois pergunta qual o grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master, parecendo tomar como fato a própria existência do esquema e o envolvimento dos grupos políticos, sem ofertar alternativa para rejeitar a premissa”, afirmou.

A fala deslocou o debate para a forma da pergunta, mas o caso Master já envolve elementos públicos sob investigação. A Polícia Federal apura fraudes financeiras ligadas ao banco, inclusive a tentativa de compra pelo Banco de Brasília, instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.

O escândalo também atingiu recursos previdenciários. A PF mirou o Rioprevidência em esquema que envolve fundos dos servidores do Rio de Janeiro de cerca de R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, também é apurado as aplicações de R$ 2,01 bilhões do fundo em produtos ligados à instituição.

A pesquisa da AtlasIntel foi divulgada depois do vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O PL alegou que o questionário teria sido estruturado para induzir respostas negativas sobre o senador.

A AtlasIntel afirmou que respeita a decisão e que está prestando informações sobre a metodologia. O instituto disse confiar que a análise técnica do colegiado confirmará a robustez e a legalidade do estudo. O julgamento é visto como um teste para a nova composição do TSE em casos sensíveis das eleições de 2026.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!