Tucano do Esquerda Pra Valer explica a opção por Haddad. Por José Cássio

Fernando Guimarães, coordenador do grupo Esquerda pra Valer, do PSDB

A primeira lembrança que Fernando Guimarães tem de Fernando Haddad remonta dos anos 90, nos bancos da FFLCH-USP.

O irriquieto estudante de sociologia se encantava com a palavra fácil do professor, e projetava ali o que seria o seu futuro nas duas décadas e meia seguintes: um ativo militante da social-democracia idealizada por Montoro e Covas e que hoje capenga na mão de Geraldo, Doria, Goldman e cia.

Vinte e tantos anos depois, ambos, Fernando aluno e Fernando professor têm um encontro marcado na tarde desta quinta, 11, num hotel no centro velho de São Paulo.

Não para aprender ou ensinar, e sim para exercer o que ambos exercitaram nesse tempo todo: manter viva a luta pela democracia, pelo direito das liberdades e por um país melhor e mais igualitário.

“Embora não tenha respaldo para falar em nome dos parlamentares do nosso grupo, exerço o direito de fazer prevalecer uma resolução que foi tirada ainda em 2017: a de que iríamos apoiar, numa eventual necessidade como agora, qualquer candidatura que pudesse se contrapor ao fascismo”, diz Fernando Guimarães, que criou e mantém a duras penas o “Esquerda Pra Valer”, um movimento que se diz libertário dentro do PSDB e que, a despeito de toda sorte de dificuldade, mantém a esperança de ver o partido idealizado por Montoro e Covas retomar as origens e seguir na boa luta.

“Combater o protofascismo é um dever, não uma opção”, diz, para justificar a atitude isolada e sem respaldo de políticos profissionais que se dizem de esquerda dentro do PSDB como Goldman, Serra, Mara Gabrilli, Eduardo Barbosa (deputado federal por Minas Gerais que já entrevistamos neste DCM), entre outros.

Na coletiva à Imprensa que está sendo armada para juntar professor e aluno, Fernando Guimarães vai dizer da sua impressão sobre o Haddad político.

“É alguém comprometido com a democracia e com valores republicanos, com competência e boa vontade para unir o país. Para nós, não resta dúvida de que é o mais sensato a se fazer neste momento”.

Pergunto sobre sua visão do Haddad prefeito de São Paulo.

“Ele avançou no campo simbólico, nem sempre percebido mas fundamental na construção de uma sociedade moderna: colocou as ruas como espaço de ocupação pública e manifestação cultural, incentivou a bicicleta como meio de transporte e, do ponto de vista administrativo, teve uma gestão correta, tanto que não responde a nenhum processo”.

Na sua opinião, Haddad vai levar esse legado para a presidência, o que não é pouco.

“Vejo nele alguém tolerante e em condições de representar na presidência a busca do diálogo. É a única pessoa neste momento em condições de pacificar o país”.

O Fernando aluno que não perdeu o sonho da ideologia legada pelo estatuto do PSDB, mas aviltada pelos líderes profissionais ao longo do tempo, está com o celular à plena carga ansioso pela ligação que vai determinar o horário e o local do reencontro com o velho mestre.

Pelo menos pra ele, o sonho (ainda) não morreu.

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