Tucker Carlson pede desculpas por apoiar Trump e diz que “enganou” milhões

Atualizado em 21 de abril de 2026 às 17:30
Tucker Carlson e Donald Trump

O ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson fez uma autocrítica pública sobre seu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que “enganou” o público. Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (21), ele declarou que será “atormentado por muito tempo” por ter ajudado a impulsionar o presidente.

Durante seu programa no YouTube, Carlson disse que o momento exige reflexão. “É hora de lidar com a própria consciência”, afirmou. “Quero pedir desculpas por ter enganado as pessoas. Não foi intencional.” Ele também reconheceu que teve papel ativo na campanha de Trump e que isso contribuiu para o cenário atual.

“Estamos implicados nisso com certeza”, disse. Segundo ele, não basta afirmar que mudou de opinião ou se afastar. “De maneira real, você, eu e milhões de pessoas como nós somos parte do motivo pelo qual isso está acontecendo agora”, falou durante conversa com seu irmão, Buckley Carlson.

As declarações ocorrem em meio a um racha crescente dentro da direita americana, especialmente por causa da condução do governo Trump em relação ao Irã. Carlson tem sido um dos críticos mais duros da estratégia adotada pelo presidente, principalmente após a escalada militar e a dependência de Israel.

Antes do cessar-fogo firmado em abril, Trump chegou a escrever que “uma civilização inteira morreria naquela noite”, o que gerou consternação internacional. Carlson classificou esse tipo de declaração como “repugnante em todos os níveis” e chegou a pedir que assessores militares rejeitassem qualquer plano que envolvesse ataques a civis iranianos.

Trump chamou Carlson e outros ex-aliados de “pessoas com baixo QI”. Em outra ocasião, acusou o ex-apresentador de “não ter ideia do que está acontecendo”.

Carlson não é o único aliado a romper com o presidente. Figuras como Alex Jones e Marjorie Taylor Greene também passaram a questionar o governo. Alguns chegaram a defender a aplicação da 25ª Emenda, que permite afastar o presidente em caso de incapacidade.

Influenciadores e comunicadores com grande alcance digital também demonstraram insatisfação. Joe Rogan afirmou que parte dos apoiadores se sente “traída” pela condução da guerra, enquanto Theo Von questionou os efeitos do conflito para a população americana.

O afastamento de Carlson marca uma mudança relevante, já que ele foi um dos principais nomes da mídia conservadora a apoiar Trump nos últimos anos. Sua saída da Fox News, em 2023, ocorreu após a emissora firmar um acordo de US$ 787,5 milhões em um processo por difamação, o que já havia abalado sua posição no cenário midiático.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.