“Tudo o que você precisa é dizer que está sendo atacado”: de Bolsonaro a Goering em Nuremberg

Renan Calheiros na CPI da Covid. Foto: Reprodução/TV Senado

Na abertura da CPI da Covid, o relator Renan Calheiros lembrou do Tribunal de Nuremberg e o genocídio que matou milhões de judeus.

“Não podemos dizer que houve um genocídio”, disse o senador, mas apontou que há “semelhanças assustadoras, tenebrosas, perturbadoras no comportamento de algumas altas autoridades”.

Citou Hermann Goering, o segundo homem de Hitler.

Militar condecorado na Primeira Guerra, Goering era do círculo íntimo do führer.

Gustave Gilbert foi um psicólogo prisional americano que tinha acesso aos presos de uma penitenciária de Nuremberg, na Alemanha.

Lançou um livro chamado “The Nuremberg Journal” (O diário de Nuremberg), com entrevistas com todos os acusados e resumos dos julgamentos.

Em 1946, Goering disse a Gilbert que é mais fácil para os líderes dos países influenciar as pessoas quando as atacam e condenam por falta de patriotismo, acrescentando que esse princípio vale para todos os países.

“Naturalmente, as pessoas comuns não querem guerra, nem na Rússia, nem na Inglaterra, nem nos Estados Unidos, nem na Alemanha. Isso é compreensível. Mas, no final das contas, são os líderes do país que determinam a política e é sempre uma questão simples carregar as pessoas junto, seja em uma democracia, em uma ditadura fascista, em um sistema parlamentar ou em uma ditadura comunista”, falou o marechal nazista.

Mais: “As pessoas sempre podem ser levadas a defender seus líderes. Isso é fácil. Tudo que você precisa fazer é dizer-lhes que eles estão sendo atacados e denunciar os pacifistas por falta de patriotismo e por expor o país ao perigo. Funciona da mesma maneira em qualquer país”.

A declaração dada por Goering aconteceu em 15 de outubro de 1946, horas antes de sua morte, com cianeto.