‘Tudo pode passar. Só o Tricolor não passará jamais’: o Fluminense segundo Nelson Rodrigues

Para homenagear os torcedores do campeão brasileiro de 2012, o Diário recorreu ao maior deles …

Gênio em descanso

O Diário saúda todos os torcedores do Fluminense, a começar pelo enorme Saulo Londres. Este sim é um título legítimo, e não aquele que o tricolor obteve em 2010, quando Palmeiras – merecidamente castigado com o rebaixamento agora – e São Paulo entregaram jogos vitais apenas para prejudicar o Corinthians. Para festejar a conquista, o Diário arrumou uma entrevista com o maior torcedor do Flu, Nelson Rodrigues. É parte de nossas Conversas com Escritores Mortos.

Professor, conquistado este título, o que o senhor espera do tricolor daqui para a frente?

Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a sua predestinação para a glória.

Como o senhor definiria o típico torcedor do Flu?

Pode-se identificar um tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se distingue dos demais por uma irradiação específica e deslumbradora.

Hmmm …

Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode – e nem se deseja – fugir.

 Mas o Flamengo tem muito mais torcedores, Professor …

O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente.

O senhor poderia explicar isso melhor?

Nas situações de rotina, um pó de arroz pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas.

O que o senhor, especificamente, faria para ver seu time em campo?

Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar.

Mas o senhor está morto, não se esqueça. São os fatos …

Eu vos repondo: pior para os fatos.

O senhor tem alguma simpatia por outros tricolores nacionais, como o Grêmio, o São Paulo e o Bahia?

O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores.

Me desculpe, Professor, mas eu gostaria que o senhor falasse alguma coisa de meu time, o Corinthians, que afinal é muito grande …

Grandes são os outros. O Fluminense é enorme.

O senhor sempre foi fanático assim?

Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação.

Mais uma vez, Professor: o senhor está morto. Fato.

Ora, pior para os fatos.

Professor: o senhor diz isso, mas tecnicamente está morto, embora vivo, de uma certa forma, tanto que estamos fazendo esta entrevista. Isso se chama, segundo o budismo, impermanência. O senhor não receia que também o Fluminense algum dia desapareça, como tudo?

O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar. Só o tricolor não passará jamais.

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