Tudo sobre o racha na família Bolsonaro em meio a disputa política em Santa Catarina

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 9:06
Carlos, Renan, Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

A confusão política provocada em Santa Catarina pela família Bolsonaro escancarou uma crise que vai além da disputa eleitoral e atingiu o próprio núcleo familiar do ex-presidente. A decisão de Jair Bolsonaro de impor a candidatura de um dos filhos ao Senado pelo Partido Liberal desencadeou uma reação em cadeia no PL catarinense e levou à saída de uma de suas principais lideranças no estado. Com informações da revista Veja.

A deputada federal Caroline De Toni anunciou nesta quarta-feira (4) que deixará o PL de Santa Catarina após se sentir preterida na disputa interna ao Senado. Campeã de votos da sigla no estado, De Toni avaliou que perdeu espaço com a entrada de Carlos Bolsonaro na corrida eleitoral.

Eleita deputada federal em 2018 no embalo da vitória presidencial de Jair Bolsonaro, ela obteve mais de 109 mil votos naquela eleição, número equivalente a cerca da metade da população de Chapecó, cidade onde nasceu e iniciou a carreira política como vereadora. Em 2022, mais que dobrou esse desempenho, alcançando 227 mil votos, o equivalente a 5,7% do total.

Decisões centralizadas no clã Bolsonaro

Mesmo preso, Jair Bolsonaro tem definido as prioridades partidárias para as próximas eleições sem consulta prévia aos aliados. A estratégia adotada privilegia diretamente seus familiares.

O ex-presidente escolheu o senador Flávio Bolsonaro como candidato presidencial do PL, determinou que Carlos Bolsonaro deixasse o mandato de vereador no Rio de Janeiro, cargo que exercia havia 25 anos, para se mudar para Santa Catarina e disputar uma vaga no Senado.

Além disso, o ex-mandatário decidiu que Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú, será candidato a deputado federal e designou Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

Cenário eleitoral alterado no estado

Em 2026, estarão em disputa duas vagas ao Senado por estado. Em Santa Catarina, o cenário estava praticamente definido no PL: Caroline De Toni seria candidata, com apoio a uma aliança com o Progressistas para a reeleição do senador Esperidião Amin.

A entrada de Carluxo mudou completamente esse arranjo e retirou do jogo a deputada mais votada do partido no estado.

Com a saída do PL, Caroline De Toni deve buscar outra legenda e disputar voto a voto com Carlos Bolsonaro. A recepção ao filho do ex-presidente, no entanto, não tem sido positiva entre os eleitores catarinenses.

Pesquisa realizada em dezembro pelo grupo jornalístico local ND apontou rejeição de 60,5% à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Percentual semelhante, de 60,9%, indicou que os eleitores defendem que Jair Bolsonaro apoie nomes locais nas eleições deste ano.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, decidiu se posicionar publicamente. No Instagram, ela declarou apoio à candidatura de Caroline De Toni contra Carlos Bolsonaro. O gesto reforçou a percepção de que o conflito não se limita ao campo político e eleitoral, mas revela também um racha interno na família do ex-presidente.

A ex-primeira-dama compartilhou imagens ao lado da parlamentar e escreveu: “Estaremos com você, Carol De Toni”. Ao responder, a deputada afirmou estar “sem palavras para agradecer o apoio incondicional” da ex-primeira-dama, a quem chamou de “líder nacional” e “mulher inspiradora”.

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Story de Michelle Bolsonaro apoiando Carol de Toni. Foto: Reprodução/Instagram