
A União Europeia passou a negociar diretamente com o Brasil um acordo voltado a investimentos conjuntos em minerais críticos, com foco em lítio, níquel e terras raras. A informação foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante evento no Rio de Janeiro.
A declaração ocorreu na cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tratado negociado ao longo de 25 anos e que abrange diversos setores econômicos. A negociação sobre minerais estratégicos é paralela ao acordo comercial e trata especificamente de cooperação em matérias-primas consideradas essenciais para cadeias industriais de alto valor tecnológico.
Segundo von der Leyen, a parceria em minerais críticos será um dos eixos centrais da relação entre Brasil e União Europeia nos próximos anos. “Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica”, afirmou a dirigente europeia durante o discurso.
Vitória do multilateralismo.
Mercosul e União Europeia fazem história ao avançar em um acordo que une 720 milhões de pessoas, fortalece a democracia, o comércio justo e a cooperação entre povos.
Meu agradecimento à presidenta da Comissão Europeia, Ursula @vonderleyen, pelo… pic.twitter.com/9cVAkYEi2k
— Lula (@LulaOficial) January 16, 2026
O interesse europeu ocorre em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento. As terras raras — grupo formado por 17 elementos químicos — são insumos essenciais para a produção de turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e tecnologias militares. Atualmente, a China concentra a maior parte do refino e do processamento desses minerais, o que tem levado outros blocos econômicos a buscar fornecedores alternativos.
O Brasil ocupa posição relevante nesse cenário. O país detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Apesar disso, grande parte da produção brasileira ainda é exportada sem processamento industrial, o que limita a agregação de valor e a inserção do país em etapas mais avançadas da cadeia produtiva.
O aceno da União Europeia acontece no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, também passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros. A movimentação simultânea de grandes potências amplia a centralidade do Brasil nas disputas internacionais por matérias-primas críticas.
Ao encerrar sua fala, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–União Europeia como um arranjo de “ganha-ganha” e se despediu em português. Segundo ela, a ampliação da cooperação econômica e industrial entre os blocos está associada a investimentos de longo prazo e ao fortalecimento das relações estratégicas entre Europa e América do Sul.