De cambistas a empresários: os brasileiros que ficaram sem dinheiro após crise com banco no Paraguai

Atualizado em 6 de novembro de 2026 às 10:26
Sede do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai
Sede do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai. Foto: Reprodução

A liquidação do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai deixou brasileiros sem acesso a recursos usados para despesas pessoais e capital de giro de empresas. A instituição digital tinha cerca de 3 milhões de clientes, número equivalente a aproximadamente 60% da população adulta paraguaia.

O Banco Central liquidou a instituição na terça-feira (3), após identificar que o índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei. Empréstimos a empresas ligadas ao próprio grupo controlador comprometeram os recursos do banco e atingiram milhares de correntistas.

O empresário Pedro Treméa, de 61 anos, mantém uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este e tinha no Ueno recursos acima do limite coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai. Ele usava a conta para movimentar o capital de giro do negócio, mas dividia os valores entre diferentes bancos.

“Como empresa, não colocamos todo o recurso em um único banco. No Paraguai é muito utilizado o alias, e mantemos duas ou três contas em instituições diferentes para atender clientes de várias regiões, o que evitou um impacto ainda pior”, disse Treméa.

Sede do Banco Ueno. Foto: reprodução

Clientes relatam bloqueio de contas e perdas para empresas

Em Presidente Franco, o dono de oficina Marcelo Bernard, de 26 anos, perdeu cerca de 5 milhões de guaranis, equivalentes a R$ 4,5 mil. Ele afirmou que guardava o dinheiro de giro fora da instituição porque pagamentos em espécie ainda são comuns no país.

“Para mim a situação não está tão ruim porque no Paraguai as pessoas ainda estão acostumadas a pagar em dinheiro vivo”, afirmou Bernard. Ele relatou forte revolta entre moradores contra o presidente Santiago Peña e políticos paraguaios, com cobrança por punição aos responsáveis pela crise.

A cambista Dalma Morinigo, de 31 anos, tinha no Ueno o equivalente a mais de R$ 7 mil que pretendia usar nas férias de fim de ano. Moradora de Ciudad del Este há quatro anos, ela também recebia pagamentos de clientes pela conta e disse que o saldo desapareceu do aplicativo após a notícia da liquidação.

O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228,3 milhões de guaranis por pessoa e instituição, cerca de R$ 200 mil. Santiago Peña promulgou na quarta-feira (4) uma lei para acelerar o ressarcimento dos clientes e afirmou que responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder à Justiça.

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