Último fugitivo condenado pelo assassinato de Víctor Jara é preso no Chile

Atualizado em 26 de julho de 2026 às 23:12
Víctor Jara
Víctor Jara, cantor chileno assassinado durante a ditadura de Augusto Pinochet. Foto: Reprodução

O ex-coronel do Exército chileno Nelson Haase Mazzei, de 80 anos, foi preso neste sábado (25) após permanecer foragido desde 2023. Ele era o último condenado ainda em liberdade pelo sequestro, tortura e assassinato do cantor Víctor Jara durante a ditadura de Augusto Pinochet. Com informações do El País.

Haase foi encontrado em uma propriedade rural de Puyehue, na região de Los Lagos, no sul do Chile. A juíza Paola Plaza, responsável por processos relacionados a violações de direitos humanos, determinou sua transferência imediata para a prisão.

O ex-militar foi condenado a 25 anos e dois dias de reclusão: 15 anos pelos homicídios qualificados de Jara e do então diretor-geral do Serviço de Prisões, Littré Quiroga, e outros dez anos pelos sequestros das duas vítimas. Ele não se apresentou para cumprir a pena após a confirmação da sentença pela Suprema Corte chilena.

Cartaz de “procurado” de Nelson Haase Mazzei, preso pelo assassinato de Victor Jara. Reprodução

Em 1973, Haase era tenente e integrava a estrutura de comando do Estádio Chile, para onde mais de 5 mil pessoas foram levadas após o golpe contra o presidente Salvador Allende. Testemunhas, entre elas militares e antigos integrantes da polícia secreta, situaram o acusado no local durante as torturas e execuções.

A Justiça concluiu que Haase participou diretamente do confinamento e da morte das vítimas. Ele também se tornou homem de confiança de Manuel Contreras, chefe da Direção de Inteligência Nacional, a DINA, órgão responsável por alguns dos crimes mais brutais da ditadura.

Víctor Jara foi preso no dia seguinte ao golpe de 11 de setembro de 1973 e assassinado aos 40 anos. O músico, autor de canções como “O direito de viver em paz” e “Te recuerdo Amanda”, sofreu dezenas de fraturas e foi atingido por 44 tiros. Seu corpo foi abandonado em uma via pública. Littré Quiroga, de 33 anos, também foi torturado e executado no estádio.

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