Um ano após facada, quem está na UTI é o Brasil. Por Ricardo Kotscho

Imagem: AFP

PUBLICADO NO BALAIO DO KOTSCHO

Onipresente em todas as mídias e nas conversas, um ano após a facada de Juiz de Fora, às vésperas de nova cirurgia, no domingo, o presidente acidental levou o Brasil junto com ele para a UTI.

Já pensei mil vezes em mudar de assunto e deixar de falar no inominável, mas é impossível.

Basta abrir o computador ou o jornal, ligar a televisão ou o celular, lá está ele falando merda, anunciando decisões malucas, contrariando a lógica e a ciência, desafiando repórteres e adversários, ofendendo e agredindo pessoas com seu vocabulário escatológico, defendendo torturadores.

Nos encontros de amigos ou de família, qualquer que seja o assunto, mesmo que se evite falar seu nome, ele sempre entra nas conversas.

O que fazer?

Quase todas as pessoas com quem falo são unânimes no diagnóstico de que o inominável não tem mais a menor condição política, mental e moral para governar o país.

Oito meses após a posse, a cada dia fica mais claro que as pessoas lúcidas com responsabilidades no país precisam encontrar uma solução para este problema que deixou o Brasil doente, sem previsão de alta.

Na manhã desta sexta-feira, me ligou o médico Vitor Buaiz, ex-prefeito de Vitória e ex-governador do Espírito Santo, preocupado, como todo mundo, com os destinos do país.

Em busca de uma solução, ele pensa em sugerir à Sociedade Brasileira de Psiquiatria a elaboração de um laudo médico sobre o estado de saúde do presidente para fundamentar sua interdição.

Buaiz acha que o caso é de tal gravidade que deve ser levado à Assembléia Geral da ONU porque se trata de uma ameaça a todo o mundo civilizado.

Assim como ele, líderes de diferentes movimentos da sociedade civil estão se mobilizando para encontrar uma saída a menos traumática possível.

Reuniões se sucedem por toda parte, abaixo assinados para todos os gostos circulam na internet, antigos adversários estão se unindo novamente para estancar a sangria e defender o Estado de Direito.

Neste sábado, 7 de setembro, véspera da nova cirurgia para corrigir uma hérnia, discute-se se ainda há motivos para comemorar a Independência do Brasil. Há controvérsias.

Isolado do mundo, tratado como um pária perigoso, o Brasil fica cada vez mais dependente dos Estados Unidos, que vai receber o filho embaixador para evitar intermediários.

Não, não é normal tudo o que está acontecendo com uma das maiores economias do mundo, que até outro dia era ouvido e respeitado em todos os fóruns internacionais.

Foi tudo muito rápido.

Desde a eleição de 2014, quando vivíamos uma época de pleno emprego, o país passou a ser governado pela Lava Jato, que derrubou uma presidente eleita e elegeu o ex-tenente, com o apoio da mídia, do mercado e do alto empresariado nacional.

Jogaram tudo nas mágicas de Paulo Guedes, o patético posto Ipiranga sem combustível, que arranca gargalhadas do nobre auditório empresarial em Fortaleza, ao ofender a primeira dama da França, enquanto o presidente agride o pai da ex-presidente do Chile, assassinado pela ditadura Pinochet.

Só agora a equipe econômica de Guedes se dignou a começar a estudar medidas de combate ao desemprego.

Informa a Folha: “As propostas aguardam aval do ministro e já foram apresentadas para um grupo seleto de empresários e banqueiros”.

Que maravilha! Gostei do “grupo seleto”. Vão consultar justamente os causadores do desemprego e não as entidades de trabalhadores vítimas da política econômica.

Faz sentido: o presidente foi eleito por eles, governa com e para eles.

Tem pena dos patrões e cuida de acabar com os direitos trabalhistas.

Acho que Vitor Buaiz não está exagerando. Trata-se mesmo de interdição urgente antes que o país acabe.

Bom final de semana, de preto ou de verde-amarelo. Você escolhe.

Vida que segue.

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