Um ano de Guaidó: “Ele é uma marionete dos EUA”, diz venezuelano nas ruas de Caracas. Por Fania Rodrigues

POR FANIA RODRIGUES, de Caracas

Há exatamente um ano, Juan Guaidó se autoproclamava presidente interino da Venezuela.

Um deputado desconhecido, até então, Guaidó havia sido eleito presidente da Assembleia Nacional do dia 5 de janeiro de 2019.

De lá para cá o opositor empreendeu uma série ações que tinham como objetivo derrubar o o preisdente Nicolás Maduro. Em fevereiro, tentou passar caminhões de ajuda humanitária, na fronteira com a Colômbia.

Essa iniciativa resultou em enfrentamentos entre venezuelanos: opositores contra chavistas. E quase provoca uma invasão militar estrangeira dos Estados Unidos e a Colômbia contra a Venezuela.

Com o fracasso dessa ação na fronteira, Guaidó tentou chegar ao poder por meio da violência no dia 30 de abril, em uma tentativa de golpe de Estado, que também não prosperou.

E entre escândalos de corrupção e fotos com paramilitares colombianos, Juan Guaidó perdeu força nas ruas. Suas marchas têm cada vez menos adeptos.

Hoje, o governo de Nicolás Maduro está muito mais forte do que estava antes da aparição de Juan Guaidó na cena política venezuelana.

Para entender o que pensam os venezuelanos sobre Juan Guaidó, fomos às ruas de Caracas escutar pessoas de diferente vertentes políticas.

A poeta e escritora Aleydys Manure critica o opositor. “[Guaidó] não tem nenhuma legitimidade. Nenhuma legalidade o sustenta, em nenhum marco jurídico, mas ele se vendeu como um produto do imperialismo norte-americano”.

Já o produtor de vídeo Ántoni Oropeza fala sobre o sentimento que existe entre os cidadão opositores. “Atualmente, as pessoas já não se importam com quem está no poder, mas sim em viver sua vida”.

No entanto, ainda existem pessoas como o comerciante Andres Abreu Pestana, que se identifica com o setor opositor e que acredita a saída é uma invasão militar. “Claro, porque [os chavistas] estão no poder há 20 anos. Mais destruído que isso não pode ficar esse país”, afirma.

Mas para muitos venezuelanos, como Alexander Díaz, um líder de Comuna, Juan Guaidó não passa de um produto midiático dos Estados Unidos, sem verdadeira representatividade na Venezuela.

“Guaidó é uma marionete. E o mais grave aqui é que fica revelado que os Estados Unidos é o ator principal da invasão contra os povos, não somente na Venezuela”, destaca.

O fato é que, um ano depois da autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino, é Nicolás Maduro que continua controlando todos os poderes do estado venezuelano. E Guaidó continua tendo força fora da Venezuela e não dentro do país.

Mas este ano há eleições para a Assembleia Nacional, e essa é uma oportunidade para os venezuelanos enviarem uma mensagem contundente ao setor chavista e ao opositor.

Na quinta-feira (23), o único setor que saiu a marchar foi o chavista. O deputado Juan Guaidó está em viagem fora da Venezuela e convocou um protesto para a próxima terça-feira (28), nas proximidades do Palácio Federal Legislativo, da Assembleia Nacional.

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