Um Big Mac é mais confiável do que um jornalão brasileiro. Por Moisés Mendes

Atualizado em 3 de novembro de 2026 às 21:24
Não se aproveita nada dos jornalões Imagem: reprodução

O jornalismo das corporações se comporta há uma semana, desde a vitória de Lula, como barata tonta que cheirou detergente Ypê. Não se aproveita nada dos jornalões. Nada.

Nem a fuga de Flávio Bolsonaro foi aproveitada pela grande imprensa, que está levando 7 a 1 dos jornais argentinos, principalmente do Clarín. Os jornais não acrescentam uma linha ao que os argentinos noticiam desde os primeiros dias depois da fuga.

As corporações retomaram a conversa do déficit fiscal e apresentam como novidade a aposta em Tarcísio de Freitas como nome para 2030. Tem Tarcísio de Freitas todos os dias nas capas de Folha, Estadão e Globo.

Não falha um dia. Sempre com a exaltação das qualidades do sujeito, e uma das mais lembradas é esta: ele foi tenente. Os jornalões viraram uma grande assessoria de imprensa da direita derrotada junto com o bolsonarismo.

Os jornais estão desorientados. Sem a eleição americana, não haveria o que ler nos jornalões. A vitória de Lula fez com que a grande mídia entrasse num torpor em que tudo o que produz é bocejo.

O jornalismo brasileiro, que apostou na vitória de Flávio ao lado da Faria Lima e do PCC que lava dinheiro na Faria Lima, para viver do butim e das manchetes sobre o fim do mundo, enfrenta sua pior crise.

Hoje, são poucas as diferenças entre as redações dos jornais e uma cozinha do McDonald’s. Ambas fazem todos os dias as mesmas coisas, com a diferença de que um Big Mac duplo, com fritas e tortinha de maçã, ainda tem o seu valor.

E um Big Mac é muito mais confiável.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/