Um exército para se orgulhar: o Batalhão Sagrado de Tebas, formado por homossexuais, que venceu Esparta

Guerreiros gregos retratados em vaso de cerâmica

Me peguei pensando no quanto o Exército brasileiro é desprezível depois de ler sobre o Batalhão Sagrado de Tebas, célebre pelas vitórias sobre os espartanos.

Meu sobrinho Pedro escreveu sobre isso numa matéria excelente em seu site, El HombreA história fascinante desses homens estava numa New Yorker. Fico imaginando um Pazuello, um Braga Netto, um Bolsonaro, tentando virar herois aqui:

Em junho de 1818, durante uma visita à Grécia, um jovem arquiteto inglês chamado George Ledwell Taylor saiu cavalgando com alguns amigos a fim de explorar as ruínas de uma antiga cidade denominada Queronéia.

Conforme o grupo de Taylor se aproximava de seu destino, seu cavalo “tropeçou com medo”, como ele lembrou mais tarde, em uma pedra na estrada; em uma inspeção posterior, ele viu que a pedra era, de fato, parte de uma escultura. A escavação acabou revelando uma cabeça de animal com quase um metro e oitenta de altura – ou, como disse Taylor, uma “cabeça colossal de Leão”.

Esse artigo definido e a maiúscula “L” são cruciais. Taylor percebeu que havia descoberto um monumento famoso, mencionado em algumas fontes históricas, mas já perdido, conhecido como o Leão de Queronéia.

O inglês estava estudando a obra “Descrição da Grécia”, de Pausanias, um geógrafo do século II d.C., que afirma que a figura gigantesca do animal sentado havia sido erguida para comemorar uma unidade militar notável que havia morrido ali. O leão, presumiu Pausânias, representava “o espírito dos homens”.

A unidade à qual esses homens pertenciam era conhecida como Bando Sagrado. Composto por trezentos guerreiros da cidade de Tebas, o batalhão estava entre as forças de combate mais temíveis da Grécia, invicto até ser exterminado na Batalha de Queronéia, em 338 a.C. – um combate durante o qual Filipe da Macedônia e seu filho, o futuro Alexandre, o Grande, esmagou uma coalizão de cidades-estado gregas lideradas por Atenas e Tebas.

Os estudiosos vêem Queronéia como a sentença de morte da Era Clássica da história grega.

Outros podem achar a história interessante por diferentes razões. Não menos importante é que o Bando era composto inteiramente de amantes: precisamente cento e cinquenta casais, cujo valor, assim pensavam os gregos, se devia ao fato de que nenhum homem jamais exibiria covardia ou agiria desonrosamente diante de seu amado.

No “Banquete” de Platão, um diálogo sobre o amor, um personagem observa que um exército formado por amantes “conquistaria toda a humanidade”.

Sessenta anos depois que o cavalo de George Taylor tropeçou, novas escavações revelaram um grande cemitério retangular perto do Leão. Os desenhos feitos no local mostram sete fileiras de esqueletos, duzentos e cinquenta e quatro ao todo.

Em “The Sacred Band” (editora Scribner), livro do classicista James Romm, o ilustrador Markley Boyer colou aqueles desenhos do século XIX para produzir uma reconstrução de toda a vala comum. Marcas pretas indicam feridas. Vários guerreiros foram enterrados de braços dados; se você olhar de perto, verá que alguns estavam de mãos dadas.

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