Um Homem. Por Leandro Fortes

AFP / Miguel SCHINCARIOL O ex-presidente Lula ao chegar ao funeral de seu neto Arthur, em São Bernardo do Campo, em 2 de março de 2019

Lula, em silêncio, comandou com os olhos o espetáculo de dor e esperança do que deveria ter sido apenas um enterro triste, como sempre são devastadoramente tristes os enterros de crianças.

Em silêncio, coroado de cabelos brancos, Lula fez o mundo tremer.

Pois foi o mundo todo que viu os seguranças, as polícias, os soldados, as armas e o rancor mobilizados, todos cagados de medo, sem compreender a força daquele homem.

Aquele homem que os deixou nus.

As pessoas não foram enterrar Arthur, foram levar amor a Lula, foram oferecer seus corações, sua fé, seus olhos para que por eles Lula pudesse chorar também. Vieram pedir Justiça, esperar nem que fosse um milagre.

Em silêncio, Lula falou mais alto do que todos, foi além da roupa de mártir que se recusa a vestir. Cruzou o mar de dor com dignidade. E, no pouco tempo que lhe deram para sofrer, fez o mundo sofrer com ele, cada pessoa decente, cada humano em sintonia com o outro, cada irmão, cada irmã.

Lula enterrou Arthur e, generoso, trouxe calor de novo aos nossos corações. Encheu nossa alma de coragem e se colocou, outra vez, à frente da luta.

De novo, esse homem preso sem provas, vítima de um Judiciário apodrecido, deixou apavorados seus algozes, seus detratores e os dementes que os seguem.

Um velho calado, vestido apenas de coragem e amor, fez toda essa gente tremer.

Preso, Lula nos deu liberdade. Sempre vamos dever isso a ele.

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