Um império doente. Por Fernando Brito

Bandeira dos Estados Unidos. Foto: Sam Howzit/Flickr/Creative Commons

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

Daqui a uma semana, no Domingo de Páscoa, os Estados Unidos terão meio milhão de pessoas infectadas pelo Covid-19 e, provavelmente, terão ultrapassado a Itália como o país com maior número de mortos.

Uma tragédia sem precedentes para a nação mais rica do mundo, cujo presidente, pouco mais de um mês atrás, dizia que esta epidemia não matava mais que as gripes comuns.

Sim, toda a coincidência não é mera semelhança e pense nisso ao ler.

O Departamento de Defesa enviou uma “equipe mortuária” militar para Nova York, tantos são os corpos que, todo dia, precisam seguir seu destino solitário, sem mesmo um adeus de sua família.

Mesmo avançando com suas garras econômicas sobre todo o material médico disponível no mundo, suas estruturas hospitalares estão em colapso.

Os homens do dinheiro e dos negócios acreditavam que isso passaria – como Trump e seu pastiche tupiniquim – como um resfriado.

A estratégia chinesa de paralisação total era, claro, coisa de orientais “comunistas”, de ditaduras que obrigavam as pessoas a… ficar em casa.

O importante era manter as pessoas e a grana circulando, como se o maior perigo fossem os lucros cessantes.

É claro que eles não são responsáveis pelo vírus, mas são diretamente responsáveis por sua disseminação galopante.

Não foi pela liberdade, pelo direito de ir e vir, pela segurança do abastecimento que eles recusaram as medidas de bloqueio e restrição que forma a única coisa que deu certo no combate ao coronavírus.

Foi pelo dinheiro, seu deus acima de tudo.

Não se sabe quantos seres humanos vão imolar em seu altar viral, mas perderam a batalha por um mundo onde só a ganância era virtude.

Ontem foi o Sábado de Lázaro e também nossa humanidade reviverá naquilo de que, há anos, estava jejuando: prioridade às pessoas, defesa dos direitos e serviços públicos, vontade de estar próximo, anseio por dar as mãos que, hoje, só por escrito podem amar ao próximo, mesmo distante.

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