União Europeia avalia força militar própria para reduzir dependência dos EUA

Atualizado em 11 de janeiro de 2026 às 16:31
O Comissário Europeu da Defesa, Andrius Kubilius. Foto: Divulgação

Os países da União Europeia devem avaliar a criação de uma força militar conjunta capaz de substituir, no futuro, as tropas dos Estados Unidos estacionadas no continente. A afirmação foi feita no domingo pelo Comissário Europeu da Defesa, Andrius Kubilius, que defendeu a formação de uma “força militar europeia” permanente como alternativa para reforçar a segurança regional. Com informações do Globo.

Segundo Kubilius, uma das hipóteses em discussão seria a criação de um contingente com cerca de 100 mil soldados, estruturado de forma contínua e sob coordenação europeia. A proposta surge em um momento de crescente incerteza sobre o papel dos Estados Unidos na defesa do continente e reacende um debate antigo dentro do bloco.

A ideia ganhou novo fôlego após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que ampliaram o desconforto entre aliados da OTAN. O republicano insistiu publicamente na anexação da Groenlândia, território estratégico ligado ao Reino da Dinamarca, o que gerou preocupação sobre a previsibilidade de Washington.

As dúvidas em relação ao compromisso norte-americano com a segurança europeia já levaram diversos países a intensificar investimentos em defesa e modernização de suas Forças Armadas.

O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Divulgação

Apesar disso, a proposta de um exército europeu centralizado, debatida há anos, nunca avançou de forma concreta, em parte por divergências políticas e institucionais entre os Estados-membros.

Kubilius também defendeu a criação de um “Conselho de Segurança Europeu”, que incluiria o Reino Unido, mesmo após o Brexit. A ideia seria estabelecer um órgão mais ágil, capaz de tomar decisões estratégicas em defesa sem depender de consensos demorados entre todos os países da União.

“O Conselho de Segurança Europeu poderia ser composto por membros permanentes essenciais, juntamente com vários membros rotativos”, afirmou o comissário, ao explicar o funcionamento do modelo sugerido. Segundo ele, esse formato permitiria respostas mais rápidas a crises militares e geopolíticas.

O representante europeu destacou ainda que um dos principais objetivos desse novo arranjo institucional seria influenciar diretamente o rumo da guerra na Ucrânia. Para Kubilius, é fundamental alterar a dinâmica do conflito para evitar que Kiev saia derrotada.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.