Unir a direita e ‘pré-melar’ eleição, os planos de Bolsonaro. Por Fernando Brito

Bolsonaro defende o voto impresso desde antes de sua eleição, em 2018
EVARISTO SÁ/AFP – 05.05.2021

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito

Não foi só ao ministro Luiz Roberto Barroso que Jair Bolsonaro acusou ontem de estar preparando uma fraude eleitoral.

Foi ao Supremo Tribunal Federal, a quem acusou de tê-la planejado, ao soltar – e depois anular os processos viciados de Curitiba.

Acusações, como registraram a imprensa e os sites de verificação de notícias, falsas, distorcidas e, sobretudo, sem qualquer prova.

Como, diante de algo assim, vai o Poder Judiciário, fazer um bilu-bilu institucional ao presidente, reunindo os chefes de poderes para um entendimento.

Entendimento sobre o quê?

Fazer o Legislativo e a Justiça cederem ao desejo presidencial de impor uma votação em papel que nada tem a ver com a necessária capacidade de auditar a eleição, mas de mobilizar um sistema de coações sobre os eleitores?

Parece evidente, até a onde a vista alcança, que não haverá a submissão de ambos ao quase-ultimato presidencial.

É outra a estratégia presidencial, que consiste em criar um clima de turbulência no processo eleitoral, previamente desqualificado como fraudável e efetivamente fraudado, como o acusou de ser Bolsonaro.

O primeiro movimento é o de “tocar reunir” entre antipetistas, conservadores, militares e tudo o mais que se puder juntar à sua candidatura, tirando o que puder dos demais candidatos da direita. Conservar seu “núcleo duro”, fanático e agressivo, é ponto central em seu projeto de continuidade.

O segundo, a depender de um bom resultado de primeiro turno, o que já começou, segundo as pesquisas, a se tornar incerto, é alcançar uma polarização em segundo turno que lhe permita um movimento para “melar” o processo eleitoral sob a bandeira de um veto (militar e/ou judicial) a Lula.

Ao Judiciário e ao Legislativo, ceder agora significaria reconhecer que a eleição é fraudável e já foi fraudada, como acusa Bolsonaro.

Que, não por acaso, diz que só Deus o tirará da cadeia presidencial. Como Deus não tem título de eleitor…

Uma vitória de Lula só terá segurança se lhe der uma vantagem à prova de golpes.

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