
A Igreja Universal do Reino de Deus virou alvo de uma representação no Ministério Público Eleitoral por causa do “Desafio de Neemias”, campanha de 52 dias que, segundo a Associação Movimento Brasil Laico, pode usar a estrutura religiosa para influenciar as eleições de 2026. O Ministério Público de São Paulo recebeu a denúncia e encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral. Com informações de UOL.
A entidade protocolou a representação na última sexta-feira (14) e pediu apuração sobre referências políticas presentes nos vídeos da campanha. O Movimento Brasil Laico sustenta que a iniciativa religiosa pode organizar, orientar e monitorar fiéis em benefício de candidatos ligados à igreja e ao Republicanos.
O desafio começou em 13 de agosto e termina em 4 de outubro, data do primeiro turno. Em vídeo gravado em Jerusalém, o bispo Alessandro Paschoal e sua mulher, Michelle, comparam a reconstrução dos muros da cidade bíblica à defesa atual da igreja, da família e de valores religiosos.
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Paschoal menciona projetos em discussão na Câmara dos Deputados e afirma que eles sofrem oposição de “servos”. “Nós estamos em guerra. Guerra contra o mundo espiritual pelo reino de Deus”, diz o bispo, que também relaciona a campanha à situação política do país.
Em outro trecho, ele cita a abertura de templos durante a pandemia de covid-19 e defende a presença de “representantes do corpo de Jesus” na política. “Se não tivéssemos representantes para brigar por esse direito da Constituição, os templos não teriam sido abertos”, afirmou.
A representação questiona ainda o formulário de inscrição do desafio, que solicita identificação facial, templo frequentado, bairro, cidade e estado. O documento aponta que 154 mil fiéis já estavam cadastrados até 4 de agosto e classifica a estrutura como uma possível “máquina de engajamento eleitoral”.
O Ministério Público de São Paulo informou que registrou uma Notícia de Fato Eleitoral, mas que não havia investigação em andamento na 1ª Zona Eleitoral. Como a denúncia trata das eleições gerais de 2026 e pode ter alcance nacional, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá fazer uma avaliação inicial e decidir sobre eventuais medidas.
O Movimento Brasil Laico pediu preservação de provas digitais, depoimentos de especialistas e ex-membros da Universal e análise de possíveis medidas eleitorais, como uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral. A Universal não respondeu aos questionamentos, e o Republicanos declarou que partido e igreja são “instituições separadas e independentes entre si”.
O teólogo Ranieri Costa, mestre em Linguagens, Mídia e Arte pela PUC-Campinas, criticou o uso da história bíblica na campanha. “Ele respeita a separação das funções e os limites do sagrado. Não usa o altar como plataforma política e ideológica”, afirmou sobre Neemias.