Universidades simplificam vestibulares e eliminam segunda fase; entenda

Atualizado em 29 de março de 2026 às 20:26
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Foto: Divulgação

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão entre as instituições que adotaram mudanças significativas em seus vestibulares. A partir de 2026, as provas dessas universidades serão concentradas em um único dia, com a eliminação de fases anteriores.

As decisões são baseadas em estudos internos que indicam que a segunda fase não tinha grande impacto nos resultados finais, com pouca alteração nas classificações entre aprovados e reprovados. Nos últimos anos, os vestibulares das universidades públicas sofreram um processo de encurtamento.

Se antes as provas podiam durar mais de três dias, com divisões entre provas objetivas e discursivas em datas separadas, agora as instituições buscam simplificar o processo, concentrando as avaliações em um único dia e com menor ênfase nas provas dissertativas.

Na UFU, o novo modelo de vestibular, que será aplicado em 2026, prevê 65 questões objetivas e uma redação. O formato anterior, com duas fases, incluía um número maior de provas discursivas. Waldenor Moraes, pró-reitor de graduação da universidade, explicou que a mudança se baseia em simulações que mostraram que a exclusão da segunda fase não afetaria significativamente os resultados.

“Se rodássemos o vestibular só com a primeira fase, o resultado mudaria basicamente a ordem de classificação”, afirmou Moraes. Ele destacou que cerca de 80% dos candidatos manteriam suas posições, com variações de 15% a 20%.

Além disso, a UFU também observou um problema relacionado ao abandono de candidatos no decorrer do processo. A universidade notou altas taxas de ausência na segunda fase e de provas discursivas não respondidas, o que afetava a eficácia da seleção.

A mudança no formato busca não só otimizar a seleção, mas também reduzir custos para os vestibulandos, já que a segunda fase era realizada exclusivamente em Uberlândia, demandando deslocamento e hospedagem para candidatos de outras cidades. “Muitas vezes, a gente perdia esse jovem por uma questão socioeconômica”, explicou Moraes.

Na UFPR, a mudança também elimina a divisão em duas fases, concentrando o vestibular em um único dia de prova. O novo formato do exame, que será implementado até 2025, prevê 80 questões objetivas e duas questões de Compreensão e Produção de Texto (CPT), além de uma avaliação específica para cursos de música.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foto: Divulgação

Marco Randi, diretor do Núcleo de Concursos da UFPR, afirmou que simulações internas indicaram um impacto mínimo na classificação dos candidatos. “No máximo 10% das vagas seriam trocadas de mãos. Altera pouco o perfil dos aprovados”, afirmou Randi.

A universidade também justifica a mudança com a redução de custos operacionais. Com a nova estrutura, será necessário menos aplicadores e corretores, o que deve resultar na diminuição da taxa de inscrição.

Randi reforçou que a mudança também visa beneficiar candidatos de regiões mais distantes, diminuindo os gastos com deslocamento e hospedagem, e evitando conflitos de calendário com outros vestibulares. “Como universidade pública, buscamos um processo mais isonômico, especialmente para quem tem vulnerabilidade social e econômica”, afirmou o diretor.

Além das mudanças na UFPR e UFU, outras universidades também começaram a adaptar seus processos seletivos. A Unicamp, por exemplo, reduziu o número de questões da segunda fase em 2025, enquanto a USP anunciou ajustes em seu vestibular para 2026, com a diminuição no total de questões.

Essas modificações são vistas como uma tentativa de dar mais tempo para os candidatos se concentrarem na elaboração de respostas. A mudança nos formatos de vestibulares reflete um novo perfil dos candidatos e os desafios enfrentados pela educação superior no Brasil.

De acordo com Randi, o perfil dos estudantes tem mudado, com a educação formal perdendo centralidade. Ele observou que há uma tendência internacional de desestímulo ao ensino superior, algo que também é percebido nas sociedades ocidentais, incluindo o Brasil.

A pandemia, que forçou o ensino remoto, agravou essa situação, com muitos alunos chegando à universidade com lacunas em disciplinas essenciais. Em Uberlândia, Moraes observou que muitos candidatos, especialmente os que concluíram o ensino médio de forma remota, apresentam dificuldades de concentração e resistência a provas longas.

“O jovem chega muitas vezes desatento, com ansiedade e dificuldade de manter o foco durante o exame”, destacou o pró-reitor. Diante desse cenário, a UFU passou a adotar estratégias de acolhimento acadêmico para apoiar os estudantes a se adaptarem ao ambiente universitário, com foco em organização e leitura de textos científicos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.