Usei o Fedex e agora mais do que nunca defendo os Correios como patrimônio público. Por Luís Felipe Miguel

PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR 

POR LUIS FELIPE MIGUEL

Aqui em casa, de vez em quando fazemos compras no exterior com envio pelos Correios, em geral livros e blu-rays. Com o isolamento, isso se tornou até um pouco mais frequente.

Não é nenhuma maravilha, mas funciona. Às vezes atrasa. Uma vez teve um extravio – com os caminhões dos Correios transportando cada vez mais pacotes e menos cartas, parece que se tornam alvo prioritário para assaltos. A segurança não foi reforçada à altura.

Uns dois meses atrás, decidimos comprar temperos metidos a besta numa loja francesa. Culpa também da quarentena: vontade de uma comida diferente.

A loja só trabalhava com Fedex. O frete ficava bem mais caro, umas três vezes o valor do uso do serviço postal regular, mas não tinha outra opção.

Depois de feita a compra, passamos a ser bombardeados por e-mails quase diários da Fedex, informando que a encomenda estava a caminho, quase chegando etc.

Chegou, de fato, no dia programado. Mas com um “extra” que nenhuma mensagem havia anunciado: uma cobrança adicional de mais de 700 reais (bem mais do que o valor dos produtos), a título de taxas diversas.

Não pagamos, claro, e ficamos sem os temperos (a loja depois nos ressarciu). Descobrimos que a Fedex paga ou diz que paga os impostos de importação e circulação mesmo quando a encomenda seria isenta (como era o caso). E em seguida acrescenta uma polpuda remuneração a si mesma, pelo serviço de “despachante”.

Apesar de todo o sucateamento, do financiamento insuficiente, dos ataques, da corrupção, os Correios continuam sendo a empresa que presta serviços essenciais a todo o Brasil, mesmo aos rincões afastados.

Também é seguro pensar que, sem os Correios, milhares de pequenas empresas brasileiras desapareceriam – porque os consumidores não conseguiriam arcar com os custos do frete das empresas privadas.

A greve dos trabalhadores dos Correios é também em defesa de um patrimônio do Brasil. Merece toda a solidariedade.