
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou a Groenlândia no centro de sua estratégia geopolítica e, segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o republicano estuda adquirir o território em vez de invadi-lo.
Em reunião com parlamentares republicanos na última segunda-feira (5), Rubio afirmou que Trump pediu aos assessores que apresentem planos formais para a compra da ilha, controlada pela Dinamarca.
A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (6) que Trump analisa diferentes possibilidades para assumir o controle da Groenlândia, “inclusive o uso das Forças Armadas”. Porém, de acordo com Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, a proposta principal é evitar confrontos com a Dinamarca, que integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O tema voltou a circular nas redes sociais no sábado (3), quando Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete Stephen Miller, publicou uma imagem da Groenlândia coberta pela bandeira dos Estados Unidos.
SOON pic.twitter.com/XU6VmZxph3
— Katie Miller (@KatieMiller) January 3, 2026
Por que a Groenlândia é estratégica
O governo Trump vê a ilha como essencial diante da intensificação da disputa geopolítica no Ártico. Os Estados Unidos já mantêm no território uma base para defesa antimísseis, considerada vital para o monitoramento de ameaças no hemisfério norte.
O avanço do aquecimento global e o derretimento do gelo têm ampliado rotas marítimas antes intransitáveis, tornando o Ártico um corredor estratégico para comércio e operações militares.
A Groenlândia também abriga reservas de minerais de terras raras, fundamentais para tecnologias modernas como celulares, baterias e veículos elétricos — setor dominado pela China. Estudos apontam ainda potencial de petróleo e gás na plataforma continental.
Obstáculos legais e resistência internacional
Embora Trump alegue que “há uma boa chance” de os EUA obterem a Groenlândia “sem força militar”, o caminho é complexo. Qualquer tentativa de anexação esbarraria nos compromissos da Otan e provocaria forte repercussão global.
A Groenlândia tem autonomia desde 1979 e, desde 2009, pode realizar referendos sobre independência. Apesar disso, sua política externa e defesa continuam sob responsabilidade da Dinamarca, que também subsidia grande parte da economia local.