Valesca Popozuda foi a voz mais sensata na polêmica sobre seu funk numa prova de filosofia

Atualizado em 19 de novembro de 2014 às 15:52
valesca
Pensadora contemporânea

 

A funkeira Valesca Popozuda, em uma postagem no Facebook sobre a repercussão de ser citada em uma prova e chamada de “pensadora contemporânea”, mostrou uma lucidez de discurso que anda em falta no Brasil — especialmente em gente que enche o peito para se afirmar formadora de opinião.

Antônio Kubitscheck, professor de filosofia da rede pública do Distrito Federal, incluiu um trecho de “Beijinho no Ombro” numa questão. Uma foto foi tirada, postada nas redes sociais e viralizou.

Kubitschek declarou, mais tarde, que foi uma provocação. “A imprensa demonstrou que hoje está mais interessada no sensacionalismo e pouco interessada em uma boa formação”, disse.

De tudo o que se falou, e foi um tsunami, a voz mais sensata foi a da funkeira.

“E se fosse MPB ou uma música americana, que tanto é valorizada por nós? Será que daria a mesma polêmica?”, pergunta ela.

“Mas me espanta mesmo é todo mundo se preocupar com uma única questão da prova sem analisar os termos por trás disso tudo. E se o professor colocou a questão dentro do contexto da matéria? E se o professor quis ser irônico com o sucesso das músicas de hoje em dia? E se o professor quis apenas distrair a turma e fez a questão apenas pra brincar?”

Na sequência, ela questiona por que tanta atenção a uma letra de funk e nenhuma crítica em relação aos problemas do sistema educacional. Sem demonstrar lisonja ou intenções de se promover com o fato, expressou sua opinião de forma sincera e direta, um papo reto, como a galera do funk gosta de dizer.

Valesca está longe de ser pensadora. Nem tem essa ambição, graças a Deus. Suas reflexões sobre o caso da prova são simples, mas verdadeiras, bem colocadas e pertinentes. Quando comparadas à fala de Pelé sobre a morte do operário do Itaquerão, por exemplo, adquirem um tom grandioso.

Contrariou a máxima do Barão de Itararé, aquele que disse: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”. De onde menos se esperava, saiu uma bordoada numa onda de preconceitos.