
Donald Trump ameaçou bombardear Omã caso o país interfira nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz. Em entrevista por telefone à Fox News nesta segunda-feira (17), o presidente dos Estados Unidos afirmou que, “se Omã se meter”, Washington atacará o país “com força total”. Horas depois, no Salão Oval, voltou a criticar Mascate e disse que os estadunidenses poderiam lidar com o governo omanense “muito facilmente”.
A ameaça é incomum porque Omã está longe de ser um adversário tradicional de Washington. A relação bilateral remonta a um tratado de amizade e navegação de 1833, uma das parcerias mais antigas dos Estados Unidos no Oriente Médio. Os dois países assinaram um acordo de cooperação militar em 1980, renovado posteriormente, que permite às forças estadunidenses acesso a instalações, portos e aeroportos omanenses. O próprio Departamento de Estado define a cooperação de segurança com Omã como estratégica para a liberdade de navegação em Ormuz.
O atrito está diretamente ligado às negociações sobre o estreito. Omã e Irã discutem uma fórmula para restabelecer a navegação comercial na passagem marítima, praticamente paralisada durante a guerra. Teerã sustenta que um memorando firmado com Washington lhe dá direito de administrar parte do tráfego e negocia separadamente com Mascate um sistema para ordenar as rotas. Os Estados Unidos rejeitam qualquer acordo que reconheça controle iraniano sobre a passagem.
Reporter: This morning you said you would bomb the shit out of Oman if they got in the way.
Trump: I don’t think they behave very well, but we handle them. pic.twitter.com/4s7UbxuhCg
— Clash Report (@clashreport) August 17, 2026
Não é a primeira vez que Trump ameaça militarmente Omã durante essa disputa. Em maio, ao comentar uma proposta de administração conjunta do estreito por iranianos e omanenses, ele disse que nenhum país teria controle da rota e acrescentou que Omã teria de “se comportar” ou os Estados Unidos poderiam atacá-lo. A nova declaração, portanto, eleva uma ameaça que já vinha aparecendo no discurso do presidente estadunidense.
O Estreito de Ormuz fica entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul, e liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam pela região. A circulação despencou com o conflito: no último fim de semana, apenas cinco embarcações atravessaram a passagem no sábado e nenhuma no domingo, segundo dados citados pela Reuters.
A tensão ocorre justamente quando expirou o prazo de 60 dias previsto no acordo provisório firmado entre Washington e Teerã para tentar construir uma solução definitiva para a guerra, o programa nuclear iraniano e a navegação em Ormuz. Trump descartou ampliar o prazo, disse que o Irã deveria erguer uma “bandeira branca de rendição” e afirmou que Teerã não está disposto a aceitar o acordo que ele considera necessário. O governo iraniano, por sua vez, ameaça voltar a uma postura militar ofensiva caso suas exigências não sejam atendidas.