Vamos parar de ter medo dos Bolsonaros. Eles é que devem temer o que os espera. Por Moisés Mendes

Flávio, Jair, Eduardo e Carlos: os Bolsonaro | Divulgação

Por Moisés Mendes

Um comentário é recorrente quando algum texto aborda gestos de enfrentamento dos Bolsonaros e dos que estão no seu entorno. Dizem, por exemplo, que o Supremo perdeu o medo e agora enfrenta Bolsonaro.

Como disseram hoje nos comentários sobre um vídeo em que um homem peita Carluxo num supermercado no Rio e pergunta: cadê o Queiroz, quem mandou matar Marielle?

O homem seria a prova de que as pessoas perderam o medo. Temiam os Bolsonaros e não temem mais. Temiam o quê? Os militares ao redor de Bolsonaro?

Os milicianos, os que aparelharam o Estado em nome da família? Temem perseguições e ameaças?

Têm medo do cumprimento da promessa de Bolsonaro de que matará os inimigos na ponta da praia, como faziam na ditadura?

Temem que as turbas invadam os hospitais, como um grupo fez hoje no Rio, incentivado por Bolsonaro?

As instituições terão de proteger o país das ameaças de Bolsonaro e dos filhos dele. Como Luiz Fux fez hoje, repetindo um gesto recente de Luis Roberto Barroso, ao apelar, em despacho, para que parem de ficar dizendo que as Forças Armadas são o poder moderador da República.

As Forças Armadas não são um poder. Não devem moderar nada. Vamos parar de brincar de ditadura, como disse Gilmar Mendes.

Não dá para aceitar como normal a ideia de que poderemos viver por anos com medo dos Bolsonaros, dos milicianos da família e dos que tomaram o Estado em nome deles.

Vamos parar com essa história de ter medo de Bolsonaro. Os Bolsonaros é que devem temer o que os espera.

Chega da impunidade dos Bolsonaros e dos fascistas que eles mobilizam nas ruas e agora até dentro de hospitais.

Temos o direito de não viver com medo das facções comandadas pelos Bolsonaros. O dever do Ministério Público e do Judiciário é o de nos assegurar esse direito.

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