Variante da Covid avança para 23 países e cresce nos EUA

Atualizado em 30 de março de 2026 às 16:40
Pessoas andando de máscara nos EUA. Foto: Divulgação

A variante BA.3.2 da Covid-19, identificada inicialmente em novembro de 2024 na África, já foi detectada em 23 países e passou a se espalhar com rapidez nos Estados Unidos. A cepa, apelidada de Cicada, foi encontrada em pacientes e em sistemas de esgoto de 29 estados, segundo dados recentes de monitoramento.

O avanço da variante tem chamado a atenção de especialistas por suas diferenças genéticas em relação a outras cepas recentes do Sars-CoV-2. A BA.3.2 descende da linhagem ômicron, mas apresenta entre 70 e 75 mutações na proteína spike, estrutura usada pelo vírus para invadir células e também alvo das vacinas atuais.

O pneumologista Kyle B. Enfield explicou que a principal preocupação está na capacidade de reconhecimento pelo sistema imunológico. “Como pneumologista e intensivista, atendo muitos pacientes com alto risco de Covid-19 grave devido a doenças pulmonares crônicas, além de pessoas que vivem com Covid longa. A pergunta mais frequente é: quanto precisamos nos preocupar com as novas variantes do vírus?”.

“Até o momento, não há indícios de que a BA.3.2 seja mais perigosa ou cause doença mais grave do que as variantes que circularam no inverno de 2025 e 2026 nos EUA. Por ser significativamente diferente delas, porém, a vacina atual contra a Covid-19 pode não ser tão eficaz”, disse Enfield.

Variante BA.3.2 da Covid-19. Foto: Divulgação

A BA.3.2 começou a circular globalmente em 2025 e teve seu primeiro caso nos Estados Unidos identificado em um viajante em junho daquele ano. Desde então, o monitoramento por águas residuais tem sido utilizado para acompanhar sua disseminação, embora a coleta de dados tenha diminuído em relação ao auge da pandemia.

Especialistas explicam que mutações são comuns em vírus e podem favorecer a propagação. Alterações na proteína spike dificultam o reconhecimento pelo sistema imunológico, o que pode levar a aumento de casos mesmo em populações previamente expostas ou vacinadas.

Ainda assim, estudos indicam que as vacinas continuam eficazes na redução de hospitalizações e mortes. A resposta imunológica pode ser mais lenta quando há menor correspondência com a variante em circulação, mas a proteção contra formas graves permanece relevante.

O aumento da transmissibilidade da BA.3.2 pode elevar o número de casos, embora não haja sinais de maior letalidade. A proteção segue sendo considerada importante, sobretudo para pessoas com doenças crônicas ou maior risco de complicações.

Medidas preventivas continuam recomendadas, como higienização das mãos, evitar ambientes fechados e permanecer em casa ao apresentar sintomas. A orientação médica também é indicada para grupos mais vulneráveis.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.