Vaticano teria articulado asilo de Maduro na Rússia antes de seu sequestro

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 23:07
Cardeal Pietro Parolin se reúne com Nicolás Maduro em Caracas em 2013, ao lado do arcebispo Diego Padrón. Foto: Juan Barreto/AFP/Getty Images

O jornal norte-americano Washington Post revelou que o Vaticano tentou negociar com os Estados Unidos o envio de Nicolás Maduro para a Rússia antes da invasão da Venezuela e do sequestro do líder pelo governo de Donald Trump.

A Santa Sé buscou evitar a operação militar propondo que o presidente venezuelano aceitasse o asilo oferecido por Moscou. De acordo com o jornal, o cardeal Pietro Parolin, segunda autoridade mais importante do Vaticano, conversou com o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, em busca de detalhes sobre os planos norte-americanos.

Parolin tentou por dias contato com o secretário de Estado Marco Rubio e pediu paciência aos Estados Unidos para pressionar Maduro a aceitar a oferta russa. Uma fonte afirmou que Vladimir Putin garantiria a segurança do venezuelano e que “o que foi proposto a [Maduro] foi que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”.

Putin conversa com Maduro e manifesta solidariedade à Venezuela em meio à ofensiva dos EUA - Brasil de Fato
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Nicolás Maduro. Foto: Reprodução

Maduro, porém, rejeitou a alternativa e ignorou o prazo dado pelo governo Trump. Segundo a imprensa internacional, ele afirmou que só deixaria o país se tivesse anistia total para ele e sua família, incluindo a remoção de sanções e o fim de um processo no Tribunal Penal Internacional.

Pressão interna e recusa final de Maduro

O jornal também relata que Diosdado Cabello teria alertado Maduro de que renunciar colocaria sua vida em risco, influenciando sua decisão de permanecer. A publicação aponta ainda que Maduro temia perder acesso a recursos do comércio de ouro mantidos no exterior.

Parolin sugeriu aos EUA a definição de um prazo e garantias à família de Maduro. Trump deu uma semana para que ele deixasse a Venezuela. Com a negativa, os Estados Unidos atacaram Caracas e outros três estados na madrugada de sábado. Maduro e Cilia Flores foram sequestrados e levados a Nova York, onde se declararam inocentes perante a Justiça.