Veja quais concessões UE teve que fazer por acordo com Mercosul

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 11:42
Bandeira do Mercosul e da União Europeia. Foto: Reprodução

A União Europeia realizou uma série de concessões para conseguir apoio interno ao acordo com o Mercosul, mas, mesmo assim, não conseguiu acalmar a indignação de agricultores europeus. Apesar dos protestos na França, o tratado foi aprovado pelos países da UE nesta sexta-feira (9), ainda pendente de confirmação pelos governos dos 27 membros.

Confira a seguir algumas concessões que a UE realizou:

Garantias para produtos sensíveis

Os agricultores europeus demonstram preocupação com a redução de tarifas agrícolas prevista no pacto com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Pressionada por França e Itália, a Comissão Europeia anunciou garantias para setores como carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando volumes isentos de tarifas e prometendo intervir em caso de desestabilização de mercado.

O compromisso prevê abertura de investigação se um produto do Mercosul chegar à UE com preço 8% inferior ao europeu e se as importações aumentarem mais que 8%. Em caso de prejuízo grave, tarifas podem ser elevadas temporariamente.

A Comissão se comprometeu a iniciar análise sempre que houver risco suficiente apontado por qualquer Estado-membro.

Questões ambientais e pesticidas proibidos

Um dos temas mais criticados pelos agricultores é a presença, nas importações, de pesticidas proibidos na UE, denunciada como “concorrência desleal”. Em resposta, a Comissão Europeia anunciou a proibição total de três substâncias — tiofanato-metilo, carbendazim e benomil — especialmente usadas em frutas cítricas, mangas e mamões.

A decisão segue medidas da França, que suspendeu importações tratadas com essas substâncias. A UE também prometeu reforçar controles sanitários para garantir que produtos importados cumpram as normas europeias.

Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris — Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters
Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris. Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters

Concessões na Política Agrícola Comum

Para avançar no acordo, Bruxelas também ajustou o orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, propôs destinar cerca de 45 bilhões de euros adicionais aos agricultores a partir de 2028, antecipando recursos que só estariam previstos em revisão futura da PAC.

Fertilizantes e mecanismos de carbono

O custo dos fertilizantes é outro ponto sensível para os produtores rurais europeus. Eles pedem a exclusão dos fertilizantes do Mecanismo de Ajuste na Fronteira pelo Carbono. A Comissão abriu caminho para suspender temporariamente o dispositivo e anunciou redução de tarifas sobre ureia e amoníaco, buscando conter preços dos fertilizantes nitrogenados.

Divergências internas na UE

Mesmo com as concessões, França e Polônia seguiram contra o acordo. A Itália, porém, mudou de posição e declarou apoio nesta sexta-feira (9). Segundo diplomatas, a UE e o Mercosul esperam expandir o comércio bilateral, estimado em 111 bilhões de euros em 2024, com redução de 4 bilhões de euros em tarifas europeias.

Enquanto as exportações da UE são dominadas por máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, o Mercosul foca em itens agrícolas, minerais, celulose e papel.