Venezuela tem explosões e aviões em baixa altitude em aparente ataque dos EUA

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 5:16
Fumaça no aeroporto de La Carlota após explosões e relatos de aeronaves voando a baixa altitude em Caracas, na Venezuela

Os Estados Unidos estão realizando ataques contra a Venezuela, confirmaram autoridades norte-americanas à Fox News na madrugada deste sábado (3).

Explosões e sobrevoo de aeronaves foram registrados em Caracas, a capital. Moradores relataram fortes detonações em diferentes pontos da cidade e colunas de fumaça visíveis à distância, enquanto aviões voavam em baixa altitude sobre a região metropolitana.

Na zona leste da capital, bairros próximos à base aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, conhecida como La Carlota, foram sacudidos por explosões intensas. Testemunhas disseram que a fumaça parecia sair de um dos hangares da instalação militar. Uma moradora que acompanha a movimentação a partir de um prédio com vista para a base afirmou que o barulho das detonações foi ensurdecedor. Em várias áreas da cidade, incluindo arredores de La Carlota, houve relatos de queda de energia elétrica.

Trump afirmou recentemente que forças dos Estados Unidos foram responsáveis por uma explosão em um terminal de carregamento marítimo na Venezuela, no que seria o primeiro ataque direto em território venezuelano reconhecido publicamente por Washington. Autoridades americanas também confirmaram dezenas de ataques a alvos classificados como ligados ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico oriental desde setembro, além do deslocamento de navios de guerra, caças e aeronaves de vigilância para a região.

Os Estados Unidos acusam Maduro de chefiar um esquema de narcotráfico internacional, mas Trump já admitiu que quer o petróleo da região. Washington também já autorizou operações encobertas da CIA no país, aumentando a pressão política e militar sobre Caracas.

O governo da Venezuela divulgou um comunicado oficial no qual repudia o que classificou como uma “gravíssima agressão militar” cometida pelo atual governo dos Estados Unidos contra o território e a população venezuelanos. Segundo o texto, os ataques atingiram áreas civis e militares de Caracas, além de localidades nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

A nota afirma que a ação representa uma violação direta da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos 1º e 2º, que tratam do respeito à soberania, da igualdade jurídica entre os Estados e da proibição do uso da força. O governo venezuelano afirma ainda que a ofensiva coloca em risco a paz e a estabilidade internacional, em particular na América Latina e no Caribe, e ameaça a vida de milhões de pessoas.

De acordo com o comunicado, o objetivo da ofensiva é a apropriação de recursos estratégicos do país, com destaque para o petróleo e os minerais. O texto afirma que a ação buscaria enfraquecer, pela força, a independência política da Venezuela, e declara que essa tentativa não terá êxito. A nota faz referência à história do país desde 1811 e menciona uma proclamação do então presidente Cipriano Castro, em 1902, ao tratar de intervenções estrangeiras.

O governo informou ainda que convocou a população à mobilização e declarou que o povo venezuelano e a Força Armada Nacional Bolivariana estão mobilizados para garantir a soberania e a ordem interna. Paralelamente, a diplomacia do país anunciou que apresentará denúncias formais ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral da organização, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e ao Movimento dos Países Não Alinhados, solicitando condenação internacional e responsabilização do governo dos Estados Unidos.

O presidente Nicolás Maduro determinou a ativação de todos os planos de defesa nacional e ordenou a implementação de um decreto que declara estado de comoção externa em todo o território venezuelano. Segundo o governo, a medida visa assegurar os direitos da população, o funcionamento das instituições e a organização da defesa nacional, com o imediato deslocamento do Comando para a Defesa Integral da Nação.

O comunicado afirma ainda que, com base no artigo 51 da Carta da ONU, a Venezuela se reserva o direito de exercer a legítima defesa para proteger sua população, seu território e sua independência. Ao final, o texto faz um apelo à solidariedade internacional e cita uma declaração do ex-presidente Hugo Chávez em defesa da unidade nacional diante de situações de crise.

A nota foi emitida em Caracas no dia 3 de janeiro e situa os acontecimentos em um contexto de aumento das tensões com Washington, após ameaças recentes e o reforço da presença militar dos Estados Unidos no Caribe, incluindo o anúncio de um bloqueio naval pela administração Trump em dezembro.

A operação militar norte-americana na região, iniciada em agosto, envolve destróieres, um submarino nuclear, o porta-aviões USS Gerald R. Ford e mais de 4 mil militares, movimento que Caracas considera uma violação do direito internacional.