
A CPI dos Pancadões da Câmara Municipal de São Paulo registrou momentos de tensão durante a sessão desta quinta-feira (28). O vereador Rubinho Nunes (União), presidente da comissão, ameaçou dar voz de prisão ao pesquisador e youtuber Thiago Torres Moura Santos, conhecido como Chavoso da USP, após um bate-boca durante seu depoimento.
A oitiva buscava apurar supostas ligações do crime organizado com bailes funks de rua e contou também com a participação de Henrique Alexandre Barros Viana, o Rato, produtor da gravadora Love Funk. Ambos foram chamados a depor sobre a participação de menores de idade nos eventos e sobre possíveis vínculos com facções criminosas.
Em meio às perguntas, Rubinho Nunes questionou Chavoso sobre o reconhecimento de crime organizado nas periferias. O pesquisador respondeu: “Existe em todo lugar, inclusive nessa casa”. A declaração gerou forte reação do presidente da comissão e de outros vereadores presentes.
Rubinho e a vereadora Cris Monteiro (Novo) exigiram que Thiago indicasse nomes de parlamentares supostamente ligados a crimes. Nunes chegou a dizer que, caso não houvesse resposta, adotaria “medidas legais”, mencionando a possibilidade de prisão.
O embate gerou confusão no plenário, e as vereadoras Keit Lima (PSOL) e Amanda Paschoal (PSOL) intervieram pedindo ordem. A defesa de Thiago contestou a ameaça de prisão, enquanto Rubinho solicitou que a fala fosse enviada ao Ministério Público de São Paulo para análise.
No mesmo depoimento, Chavoso afirmou que sua convocação ocorreu logo após criticar a CPI em participação no podcast “Podpah”. Segundo ele, a comissão se aproveita de sua visibilidade para gerar repercussão em redes sociais e reforçou que a investigação representa “criminalização da juventude negra e periférica”..
Após os depoimentos, Rubinho Nunes anunciou a prorrogação da CPI por mais 120 dias. O vereador afirmou que a comissão seguirá ouvindo moradores das periferias e cobrando informações da Prefeitura, da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana para avaliar o impacto dos pancadões na cidade.
Nunes é o mesmo vereador de extrema-direita que notabilizou-se por perseguir as iniciativas do Padre Júlio Lancelotti de alimentar a população de rua da região da Moóca, onde fica sua igreja.