
O vereador Senival Moura (PT-SP) pediu afastamento do partido neste sábado (27) após a Polícia Civil prendê-lo por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta em nota assinada por Hélio Rodrigues, presidente do diretório municipal do PT em São Paulo.
Segundo a nota, Moura solicitou o afastamento para “se dedicar à sua defesa” e não “vincular os últimos acontecimentos” à legenda. A decisão ocorreu dois dias depois da prisão do parlamentar nesta quinta-feira (25), alvo da operação Última Parada.
No dia da prisão do vereador, o PT informou que levaria o caso ao Conselho de Ética do partido. O procedimento poderia resultar em medidas disciplinares, como o afastamento anunciado neste sábado e até expulsão.
“O Diretório Municipal do PT de São Paulo não compactua com qualquer prática ilícita e reafirma que todos os fatos devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com respeito à lei e às garantias constitucionais”, escreveu o órgão interno na ocasião.
Investigação mira empresa de ônibus e supostos pagamentos ao vereador
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação Última Parada em parceria com o Ministério Público estadual para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião. Segundo as investigações, a concessionária opera 50 linhas na zona leste da capital e transporta em média 262 pessoas por dia.

Os investigadores apontam que a Transunião teria Senival Moura como uma espécie de sócio oculto. Na representação que deu origem à operação, delegados citaram conversas entre suspeitos sobre supostos pagamentos ao vereador, identificado nos diálogos como “extrema”, “veio” e “presidente”.
O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, disse em entrevista coletiva que Moura havia sido jurado de morte pelo PCC por desviar dinheiro da facção, mas acabou perdoado após devolver os valores. “Vereador foi perdoado pelo partido em razão do ressarcimento do que ele havia desviado”, afirmou Sayeg. O delegado disse que não há informação sobre o valor ressarcido.
A morte de Adauto Soares Jorge, diretor da empresa apontado como operador do vereador, deu início às investigações em 2020. Adauto morreu a tiros em uma padaria na zona leste de São Paulo, e Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, acabou apontado como autor dos disparos.
O Ministério Público acredita que o crime teve como motivação uma “quebra de confiança” financeira. Integrantes da facção teriam descoberto que Adauto desviava valores da Transunião para abastecer um “caixa dois” da campanha de reeleição de Senival Moura, em 2020, em prejuízo dos repasses ao PCC; segundo a apuração, o operador Leonel Martins teria sido escalado para resolver a questão por meio do tribunal do crime, que resultou na ordem de execução.