Vereador que acionou MP contra bar por não servir israelenses fez PL para criminalizar funk

Atualizado em 5 de abril de 2026 às 20:13
Bar no Rio multado pelo Procon por avisar que americano e israelenses não eram bem-vindos

O vereador Pedro Duarte acionou o Ministério Público contra o Bar Partisan, na Lapa, após o estabelecimento ser multado em R$ 9.520 pelo Procon carioca.

A penalidade foi aplicada porque fiscais constataram a exibição de uma placa com a frase “Cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”, em inglês, considerada discriminatória por órgãos públicos e por integrantes da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo.

Integrante dessa frente, Duarte formalizou uma notícia-crime e passou a tratar o episódio como um exemplo de discriminação que exige resposta institucional.

Segundo o texto levado ao MPRJ, a conduta pode violar a legislação federal que proíbe a recusa de atendimento e o impedimento de acesso com base em origem, etnia, religião ou procedência nacional.

“Esse tipo de prática, dizendo que cidadãos de diferentes nacionalidades não são bem-vindos, é discriminatória e é proibida, além de ser crime. Xenofobia e antissemitismo aqui não!”, afirmou Duarte, que também preside a Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara.

Pedro Duarte foi um dos autores do Projeto de Lei Complementar 16/2025, conhecido como “Lei Anti-Oruam”, que buscava impedir a contratação, com dinheiro público, de artistas associados a “conteúdos que mencionem drogas ou crime”. A proposta não avançou na Câmara Municipal e foi arquivada por não alcançar os votos necessários, mesmo com maioria de presença em plenário.

A iniciativa foi alvo de críticas por parte de artistas, especialistas e parlamentares. O debate ganhou força nacional após projetos semelhantes surgirem em diversas cidades com presença forte da extrema-direita, levando a Comissão Especial de Políticas Públicas para Favelas da Câmara do Rio a acionar o Ministério Público Federal para investigar possíveis violações à liberdade cultural. Era uma evidente tentativa de criminalização do funk.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.