“Vergonha na cara”: a ira santa do pai de um zagueiro da Chape resume Temer. Por Kiko Nogueira

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Temer é um caso tão especial de presidente que, mesmo quando ele foge da vaia, a vaia acha um jeito de encontrá-lo.

Uma tragédia com a da Chapecoense é capaz de provocar os gestos mais grandiosos — e nesse capítulo você coloca os colombianos pelo conjunto da obra — e os mais comezinhos.

Michel avisou que ia até Chapecó. Para evitar vexames no velório no estádio do clube, a Arena Condá, resolveu ficar no aeroporto da cidade, oficialmente “acompanhando a vinda dos corpos”.

Em mais um ato de covardia e uma noção de civilidade particular, orientou os familiares das vítimas para o receberem lá, invertendo a lógica das cerimônias fúnebres. Era mais simples, já que sua situação é tão complicada, mandar alguém.

Temer tem demofobia e ela se manifesta com mais força em determinadas ocasiões. O pai do zagueiro Filipe Machado, Osmar, deu-lhe um recado que resume seu estilo de governo e transcende o episódio.

Do gramado, Osmar deu entrevista a um repórter. “Eu não vou, de jeito nenhum. Ele que tem que vir. Você acha que eu vou deixar o meu filho aqui e vou lá dar um abraço nele só porque ele é presidente?”, perguntou.

”Se ele tem dignidade e vergonha na cara, que venha aqui cumprimentar as pessoas que estão com problema. A presença dele no aeroporto, pra nós, não representa nada”.

Osmar contou que já fez o trajeto desde sua casa, em Gravataí, muitas vezes — e que pensou, nas mais recentes, em “enfiar o carro embaixo de um caminhão”.  Não o fez porque precisa “ser forte e ajudar a esposa e as filhas”.

Naquele mesmo dia, a mãe do goleiro Danilo, Alaíde Padilha, interrompeu uma conversa com um jornalista para oferecer-lhe o ombro pelos colegas que pereceram no vôo.

“Posso fazer uma pergunta? Como vocês, da imprensa, estão se sentindo tendo perdido tantos amigos queridos lá?”, questionou. “Pode me responder? Posso te dar um abraço em nome da imprensa?”

Dilma Rousseff disse, há poucas semanas, que Temer “é menor que o Brasil”. É uma definição perfeita, como lembrou o Paulo Nogueira. Não se refere apenas ao pequeno expediente de fazer tráfico de influência para ministros corruptos, de conspirar, de mentir em cúpulas internacionais, das platitudes que saem como metralhadora de sua boca, da quadrilha que comanda.

Ele é diminuto, principalmente, diante de gente como Osmar e Alaíde. Eles não pertencem ao mesmo mundo. Temer é prisioneiro de um golpe e move-se nas sombras, como sempre.

Pessoas como Osmar e Alaíde estão em outra liga. A questão de Michel não é somente que ele não merece o cargo que ocupa.

Temer não merece o povo brasileiro.

https://www.youtube.com/watch?v=fX3tR6IZoQc

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