Veterana de guerra encontra marido brasileiro detido pelo ICE em “condições deploráveis”

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 23:54
Hannah e Matheus Silveira. Foto: reprodução

A estadunidense Hannah Silveira, esposa do brasileiro Matheus Silveira, preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) desde novembro, afirmou que conseguiu localizar o marido após três dias sem qualquer informação oficial sobre seu paradeiro. Segundo ela, Matheus está detido no Centro Correcional Richwood, no estado da Louisiana, para onde foi transferido sem aviso prévio à família ou à defesa.

Em publicação nas redes sociais, Hannah relatou que finalmente conseguiu contato com o companheiro e disse ter recebido informações diretas dele sobre a situação no local. “Matheus afirma que, apesar de as condições serem deploráveis, está a salvo”, escreveu a estadunidense, ressaltando que, embora o centro apresente problemas graves, o marido não corre risco imediato.

De acordo com Hannah, o brasileiro foi induzido a assinar um documento autorizando a transferência para a Louisiana. Ela afirma que o advogado do casal não foi consultado durante o procedimento e que Matheus sequer conseguiu compreender plenamente o conteúdo do texto. Segundo a esposa, ele estava sem óculos no momento da assinatura, o que comprometeu a leitura do documento.

A estadunidense também declarou que o marido foi enganado sobre o destino da transferência. Conforme relatado por ela, os agentes teriam informado que Matheus seria levado para um local próximo ao aeroporto, o que não se confirmou.

O centro em que ele está atualmente fica a cerca de duas horas do terminal aéreo mais próximo e apresenta “condições absolutamente deploráveis”, segundo Hannah.

No dia anterior, a esposa havia divulgado que perdera completamente o contato com o marido. Colegas de cela relataram a ela que o brasileiro foi transferido durante a madrugada. Até então, Matheus estava detido no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego, na Califórnia, onde permanecia desde a prisão.

O brasileiro Matheus Silveira. Foto: reprodução

Matheus Silveira foi detido em 24 de novembro no escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, em San Diego. Segundo Hannah, a ida ao local fazia parte da última etapa do processo para obtenção da residência permanente, com o objetivo de comprovar a legitimidade do casamento. O pedido teria sido aprovado, mas, em seguida, agentes do ICE entraram no local e efetuaram a prisão.

Na ocasião, os agentes apresentaram um mandado baseado na permanência do brasileiro no país após o vencimento do visto. Hannah afirmou que, mesmo casados há mais de um ano, a situação poderia ser resolvida no âmbito civil. Ela criticou duramente a atuação dos agentes e classificou a ação como uma armadilha.

“Como advogada, eu não diria que é algo que não é, mas é o mais próximo que se pode chegar de uma armadilha sem ser uma armadilha em si”, disse. E acrescentou: “É uma operação muito sórdida”.

Desde a prisão, Matheus recebeu autorização para deixar voluntariamente os Estados Unidos, em vez de ser deportado. O acordo, porém, impede seu retorno ao território estadunidense por dez anos.

Segundo Hannah, as condições de detenção em San Diego já eram precárias, com alimentação inadequada e superlotação, levando o brasileiro a dormir no chão com outros 16 detentos.

O Departamento de Segurança Interna afirmou à revista Newsweek que Matheus permanecerá sob custódia do ICE até deixar o país. A secretária adjunta Tricia McLaughlin declarou que ele era um “imigrante ilegal brasileiro com antecedentes criminais que permaneceu nos Estados Unidos após o vencimento de seu visto de estudante F-1” e que a solicitação de green card não garante residência permanente.

O visto de Matheus venceu durante a pandemia da covid-19. Ele foi preso em 2022, em Nevada, por dirigir sob efeito de álcool. Hannah afirma que o episódio ocorreu quando ele tentou ajudar um amigo que não tinha condições de dirigir.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.