Viagem de Flávio Bolsonaro a Israel é bancada com recursos públicos

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 10:02
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai a Israel em missão oficial bancado pelo Senado, em meio ao esforço de consolidar sua pré-candidatura à Presidência e ampliar pontes com a direita internacional. O parlamentar desembarca no país para participar de um evento sobre antissemitismo, com despesas custeadas pelos cofres públicos, conforme informações do Metrópoles.

Pré-candidato ao Planalto, o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro participará da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, em Jerusalém, nos dias 26 e 27 de janeiro.

Flávio foi convidado para palestrar ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal que teve o mandato cassado no ano passado.

A viagem foi autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em despacho de 22 de dezembro. No documento, Alcolumbre determinou que passagens aéreas, diárias e seguro-viagem do parlamentar sejam pagos pela Casa, conforme as regras internas para missões oficiais ao exterior.

Custos e cronograma

As normas do Senado permitem o custeio de viagens internacionais desde que o roteiro seja reconhecido como missão oficial e autorizado pela Presidência ou pelo plenário. Além das passagens, estão incluídos gastos com hospedagem, alimentação e deslocamentos. No início do ano, o Senado atualizou o valor das diárias no exterior para US$ 656,46.

Alcolumbre autorizou 12 dias de missão oficial para Flávio Bolsonaro, cobrindo as datas em que o senador informou participação em eventos em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. No total, o parlamentar terá direito a receber quase US$ 7,9 mil — mais de R$ 42 mil — em diárias.

Até o momento, Flávio Bolsonaro não informou ao Senado os gastos com passagens aéreas. Pelas regras, a prestação de contas pode ser apresentada em até cinco dias úteis após o retorno. As diárias devem ser pagas antes do início da agenda em Israel, marcada para 26 de janeiro.

O evento e a agenda política

A conferência, endossada por integrantes do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, contará com discurso do próprio premiê. No site oficial, a programação afirma tratar de “desafios permanentes” no combate aos ataques contra comunidades judaicas, como “teorias da conspiração antissemitas que prosperam na retórica dos movimentos políticos” e “como a imigração para a Europa levou a um aumento do antissemitismo”.

Apesar de estar em missão pelo Senado, a assessoria do parlamentar informou que a fala de Flávio será marcada por “diretrizes que pretende adotar em um eventual futuro governo” e pela ampliação das relações bilaterais estabelecidas durante o governo Bolsonaro.

Além de Flávio e Eduardo, o evento reunirá nomes da direita internacional, como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, o premiê da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee. O senador também deverá participar de um jantar de gala restrito a autoridades no dia 26.

Após Israel, a comitiva seguirá para o Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e, na sequência, para os Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro.

Material de divulgação do evento da extrema-direita que reunirá, entre outros, Flávio Bolsonaro, Eduardo e Benjamin Netanyahu. Reprodução