Vice que Covas escondeu na campanha volta à cena política com agravamento da doença do prefeito de SP

Doria indicou Ricardo Nunes a contragosto de Bruno

Bruno Covas foi internado novamente, agora com o agravamento do câncer que se espalhou por outros pontos do fígado e nos ossos.

O próprio prefeito foi às redes sociais para informar.

No Instagram, disse o seguinte:

“Abaixar a cabeça!? De jeito nenhum.

Vou seguir lutando. Ainda tenho muito trabalho a fazer. Obrigado a todos pelo carinho de sempre. Rezas, orações, pensamentos positivos que recebo de todos os cantos me fazem mais forte nessa batalha”.

O PSDB também usou as redes sociais para dar uma força ao membro do partido:

“Prefeito Bruno Covas, continue firme nesta luta que é também nossa. De todos os lugares do país, os tucanos estão torcendo pela sua pronta recuperação. Seu trabalho pelo bem comum faz a diferença para São Paulo e para o Brasil. Seguimos juntos”.

O estado de saúde de Bruno é gravíssimo e desde o aparecimento da doença todos ao seu redor sabem. O câncer não deu trégua um só minuto ao prefeito e agora, com a contaminação dos ossos, a situação piorou.

Nada disso, porém, foi debatido na eleição do ano passado, quando Bruno conquistou um novo mandato de 4 anos. Imprensa, aliados, adversários políticos e inclusive eleitores não se sentiram à vontade para tocar no assunto.

Lidou-se com uma doença gravíssima como se Bruno fosse digno de pena –  fato incontestável, aliás, em se tratando de um jovem na plenitude da vida.

O problema é que a omissão possibilitou a ascensão de um grupo obscuro ao poder na maior cidade do país justamente em cima da fragilidade física do prefeito.

Ninguém fala em Ricardo Nunes, o vice que Bruno escondeu na campanha e continua escondendo agora.

Ex-vereador clientelista do bairro de Santo Amaro, na zona Sul, foi acusado de violência doméstica pela esposa e investigado por superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura.

Conforme relatos da época, Nunes não dava paz à Regina Carnovale, com quem manteve uma união estável por 12 anos, e que registrou Boletim de Ocorrência contra o companheiro na 6ª Delegacia da Mulher.

Segundo Regina relatou na época, Nunes tinha ciúmes excessivos dela.

Não dava um minuto de sossego à mulher, “efetuando ligações proferindo ameaças, enviando mensagens ameaçadoras todos os dias e indo em sua casa para fazer escândalos e ofendê-la com palavrões” – tudo isso consta no B. O.

Nunes também foi alvo de um inquérito conduzido pela promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O MP investiga indícios de superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura.

Esse é o vice que Bruno escolheu para sucedê-lo em caso de alguma necessidade pelo agravamento do câncer.

Foi indicado por Doria por suas ligações com o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, do DEM.

Nunes tem relação com “bancada da Bíblia”, faz oposição aberta à educação sexual e para igualdade de gênero nas escolas e surfa na campanha conservadora do projeto Escola sem Partido.

O PSDB que agora quer se diferenciar do bolsonarismo não se importou em colocar alguém com perfil de extrema-direita como vice de Bruno.

Escondeu o sujeito se aproveitando do sentimento de compaixão da sociedade pela dor do prefeito.

São Paulo errou ao se negar a debater o real estado de saúde de Bruno durante a campanha. Compaixão é uma coisa, omissão e covardia é outra muito diferente.

Do lado tucano, a situação é ainda pior. O partido se aproveitou da situação para se beneficiar.

Que se deseje toda sorte possível ao jovem prefeito, mas que o exemplo sirva de lição: ao homem público não pode ser dado o direito de omitir seu real estado de saúde e, aproveitando-se disso, indicar um vice que nem o próprio partido confia.

Não bastasse o país, São Paulo agora corre o risco real de ter um prefeito vindo do submundo e defensor de ideais fascistas.