VÍDEO – A última valsa: Moro e Zambelli dançam 5 meses antes da “máfia” explodir em guerra

A deputada federal Carla Zambelli depõe hoje na Polícia Federal no inquérito que apura a interferência de Jair Bolsonaro para ter o controle da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Integrante da tropa de choque de Bolsonaro, ela deve detonar o ex-juiz, o que contraria o passado recente de suposta amizade, como mostra o vídeo acima, em que dançam lado a lado, com seus respectivos parceiros.

O episódio lembra filmes da Máfia, quando membros da organização se divertem antes do início de uma guerra por poder e dinheiro. Era o casamento da deputada, do qual Moro era padrinho.

A festa foi há apenas cinco meses, quando o governo anunciava um cenário róseo para o Brasil em 2020.

Em princípio, Carla será ouvida na PF como testemunha, já que encaminhou a Moro um pedido para que aceitasse o nome da Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro, para a direção-geral da Polícia Federal.

Em troca, ela propôs a indicação de Moro para o Supremo Tribunal Federal. Disse que falaria para Bolsonaro dar uma declaração pública assumindo esse compromisso.

“Prezada, não estou à venda”, respondeu Moro, conforme print da conversa que ele divulgou no dia de sua saída do governo, como reforço à versão de que não negociou a indicação ao STF.

Bolsonaro havia afirmado que ele teria concordado com a troca no comando da PF em novembro, depois de sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.

Carla entrará como testemunha na PF, mas poderá sair indiciada. Ou denunciada mais tarde, quando o Ministério Pública se manifestar sobre denúncias neste caso.

Zambelli pode ter cometido o crime de corrupção ativa, ao oferecer vantagem indevida ao então ministro da Justiça. Ou de advocacia administrativa, o nome que o Código Penal dá ao que se chama hoje de lobby (no caso, ilegal).

Antiga aliada da Lava Jato, que promovia manifestações de rua de acordo com o calendário dos procuradores e, em pelo menos uma ocasião, atendendo ao interesse de Deltan Dallagnol, Carla Zambelli quis antecipar o depoimento, mas não conseguiu.

Em nota,afirmou que prestará todas as informações necessárias e que só queria “ajudar a pacificar” o conflito entre Moro e oJair Bolsonaro. Ela irá acompanhada dos advogados Rodolfo Maderic e Huendel Rolim.

“Não temos nada a esconder. Está claro para todos que minha intenção sempre foi buscar a pacificação de qualquer conflito e que, em momento algum, tentei oferecer um cargo ao ex-ministro, até porque não tenho qualquer prerrogativa para fazê-lo”, disse.

Não está claro para todos, deputada. Aliás, está tudo muito nebuloso.

 

 

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