
Em depoimento prestado nesta terça-feira (20), o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 68 anos, preso pelo atropelamento e morte da pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, negou ter atingido a idosa com o veículo. Segundo ele, a responsabilidade pelo acidente seria da própria vítima.
Durante o interrogatório, Paulo Roberto afirmou ao delegado que a idosa teria colidido com o carro que ele dirigia. “Ela bateu no meu carro pelo lado do motorista. Eu tava vindo sentido Cuiabá. Estava desde cedo com dor de cabeça, e me deu vontade vomitar. Abri a janela do carro e vomitei, e ai passou um vulto”, declarou.
A versão apresentada pelo advogado, no entanto, foi contestada pela polícia. O delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), afirmou que as imagens do local indicam que o motorista tinha condições de evitar o atropelamento e não tentou frear nem desviar.
“Apesar da vítima estar há menos de cinquenta centímetros de alcançar o canteiro central da via, concluindo sua travessia, e o motorista possuir amplo campo de visão e de manobra na via, inexistindo veículos à sua frente, quer nas faixas de circulação central e direita da via, nos instantes que antecederam o sinistro, ele não tentou frear seu veículo, nem desviá-lo da vítima”, afirmou o delegado.
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Além de ter causado a morte de uma mulher de 72 anos ao atropelá-la nessa terça (20/1), o homem também assassinou e degolou a própria esposa
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De acordo com a Guarda Municipal de Várzea Grande, o atropelamento ocorreu quando Ilmes tentava atravessar a Avenida da FEB. Após ser atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto, a vítima foi arremessada para a outra pista e acabou atropelada por um segundo veículo.
A Polícia Civil informou que, após o impacto, o advogado deixou o local sem prestar socorro. Ele foi localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping do município. O motorista do segundo carro permaneceu no local, prestou esclarecimentos e foi liberado.
A defesa do advogado divulgou nota lamentando a morte e afirmou que Paulo Roberto “está extremamente desolado com o fatídico acontecimento”. Ainda assim, a polícia informou que ele deve ser indiciado por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, além do crime de fuga do local do acidente.
Paulo Roberto Gomes dos Santos já possui duas condenações por homicídio em processos distintos. Em um deles, foi sentenciado pela morte do delegado Eduardo da Rocha Coelho, ocorrida no Rio de Janeiro, crime pelo qual recebeu pena de 13 anos de prisão em 2006. Em outro caso, foi condenado a 19 anos por homicídio qualificado e outros crimes relacionados à morte de uma estudante de enfermagem em Mato Grosso.
Motorista de Toro que atropelou e matou idosa é indiciado por homicídio doloso
As imagens, segundo ele, revelaram de forma "cristalina" que o motorista, além de estar "trafegando em altíssima velocidade", prosseguiu após a colisão com a vítima "como se nada houvesse ocorrido". pic.twitter.com/ClNgwyiwUJ
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