VÍDEO: Ao lado da mulher cabisbaixa, pastor pede perdão a Deus por tê-la agredido. Por Daniel Trevisan

O pastor Edson Araújo, da Igreja Deus É Amor, que foi flagrado agredindo a esposa, usou a rede social para pedir publicamente perdão pela atitude.

Alguns dias antes, sem perceber que uma live já estava no ar, ele se levantou e, aparentemente, deu um tapa na mulher, identificada como Débora.

O vídeo não mostra a agressão, mas nele se ouve o que parece ser o barulho de um tapa. Um dos equipamentos usados na transmissão tomba.

Em seguida, já diante da câmera e ainda sem perceber que os fiéis já o viam, o pastor diz para a esposa:

– Arruma as coisas direito, imbecil, arruma o negócio direito.

No pedido de perdão, Débora aparece ao seu lado, de cabeça baixa, sem pronunciar uma palavra.

– Ontem, nós estávamos em cima do horário de fazer o culto, e nós não tínhamos uma posição correta do equipamento, então eu simplesmente me levantei e fui tentar arrumar, e ai acabou derrubando outro aparelho de celular que faz a transmissão de hinos. Então, eu ali, de uma forma imprudente, de um forma incorreta que não poderia agir daquela forma, eu direcionei uma palavra, nunca tivemos nenhum tipo de problema, então por um momento eu direcionei uma palavra imprudente para minha esposa. – disse o pastor.

Como se vê, ele não assume a violência física, mas a verbal já seria suficiente para enquadrá-lo na Lei Maria da Penha, caso o Ministério Público desse andamento a uma das muitas denúncias registradas na instituição depois que o vídeo viralizou.

A Deus É Amor anunciou o afastamento do pastor. Se não o fizesse, poderia ser acusada de cumplicidade.

É claro que a igreja não prega a violência contra a mulher, mas quem conhece a Deus É Amor sabe que o machismo é parte de sua liturgia, a começar pela disposição do público na igreja.

Homens ficam de um lado, mulheres de outro.

As mulheres não podem pregar, em uma interpretação literal de um versículo bíblico, contida na carta de Paulo a Timóteo, seu discípulo.

A tradução da Bíblia feita para o rei James, da Grã Bretanha, no início do século XVI, revela um pensamento hoje insustentável daquele que é conhecido como apóstolo dos gentios.

Ele manda as mulheres aprenderem em silêncio diante do homem, e ainda as culpa pelo dever de submissão.

“Semelhantemente, recomendo que as mulheres se vistam com decência, modéstia e discrição, não com tranças; nem com ouro ou pérolas, nem com roupas muito caras, mas que se vistam de boas obras, como convém a mulheres que professam servir ao Senhor. A mulher deve aprender em silêncio, com toda a reverência. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o homem. Esteja, portanto, em silêncio. Porque Adão foi criado primeiro, e Eva depois. E mais, Adão não foi enganado; mas a mulher é que foi enganada e caiu em transgressão. Contudo, a mulher será restaurada dando à luz filhos, desde que permaneçam na fé, no amor e na santidade, com bom senso”, diz a carta, no capítulo 2, a partir do versículo 9.

Olhar para a imagem de Edson Araújo se desculpando em público ao lado da mulher dá ideia de como essa frase ainda está viva em determinadas religiões.

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Abaixo o vídeo da agressão:

 

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