
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixou o União Brasil e se filiou ao PSD na noite desta terça-feira (27), em um movimento que altera o tabuleiro da disputa presidencial de 2026. O anúncio foi feito ao lado dos governadores Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que também são apontados como possíveis nomes para a corrida ao Palácio do Planalto.
Em publicação nas redes sociais, Caiado agradeceu ao União Brasil, mas afirmou que a troca de legenda representa um passo necessário para a construção de um novo projeto político.
“Sou grato ao União Brasil, onde construí uma trajetória de coerência e defesa do país. Mas chegou a hora de dar um passo adiante e hoje, com total desprendimento, nos juntamos para construir um projeto de verdadeira mudança para um novo Brasil”, declarou o governador.
A saída ocorre após meses de desgaste interno provocado pela pré-candidatura de Caiado à Presidência da República. O União Brasil, federado com o PP, passou a demonstrar resistência em sustentar o nome do governador goiano, diante da avaliação de que a sigla não deveria bancar uma candidatura própria ao Planalto.
“O que sair daqui candidato, terá o apoio dos demais”, escreveu Caiado, sinalizando disposição para disputar espaço com Leite e Ratinho Jr.
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Mais cedo, em entrevista à rádio Novabrasil, em Goiânia, Caiado já havia antecipado a possibilidade de deixar o partido. “Já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo-irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar”, afirmou.
Nos bastidores, dirigentes do União Brasil consideravam a saída como um cenário provável. Avaliações internas apontavam baixo desempenho de Caiado em pesquisas e defendiam a preservação da margem de negociação da federação. A leitura predominante era de que lançar um candidato sem viabilidade eleitoral poderia isolar o partido em uma eleição marcada por alianças amplas.
Nesse contexto, nomes como Ratinho Jr. e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rpublicanos), passaram a ser tratados como alternativas mais competitivas no campo da direita e do centro-direita. Uma eventual composição com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também foi mencionada, mas sem entusiasmo da cúpula partidária. A estratégia, segundo dirigentes, era manter pontes abertas para diferentes cenários eleitorais.
O movimento de Caiado também foi influenciado por episódios recentes de desgaste. Aliados relatam que o governador se sentiu desautorizado quando lideranças nacionais passaram a defender publicamente Tarcísio como opção presidencial, o que foi interpretado como um veto indireto à sua pré-candidatura.
Antes da filiação ao PSD, partido presidido por Gilberto Kassab, Caiado chegou a ser sondado por outras legendas. O Solidariedade, comandado pelo deputado Paulinho da Força (SP), fez um convite direto. “Nós estamos dispostos a recebê-lo, o partido e a federação. Hoje conversei com Caiado por telefone. Estou fora do Brasil e ficamos de conversar nos próximos dias sobre esta possibilidade. A decisão de sair do União Brasil acho que ele já tomou. Não tem mais volta” disse Paulinho ao Globo.
Também houve diálogos preliminares com Podemos e Republicanos. No Republicanos, a dificuldade de viabilização de Tarcísio e o lançamento de Flávio Bolsonaro abriram espaço para novas alternativas.