
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, publicou nesta quarta-feira (19) o primeiro vídeo de campanha gravado ao lado do enteado Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. O gesto ocorre menos de dois meses depois de ela afirmar publicamente que havia sido “humilhada” e “maltratada” por ele durante uma discussão partidária.
Na gravação os dois aparecem rindo ao som do jingle presidencial de Flávio. “Vamos juntos resgatar o nosso Brasil”, escreveu Michelle na legenda. O senador republicou o conteúdo no Instagram.
A aproximação já vinha sendo ensaiada. No domingo (16), durante seu primeiro ato de campanha em Brasília, Michelle pediu votos para o enteado. Na semana anterior, os dois passaram cerca de uma hora e meia em uma casa de apoio no Lago Sul, onde fizeram gravações. Ao comentar o encontro, ela disse ter colocado uma “pedra” na crise e descreveu um ambiente de união.
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O conflito veio a público em 24 de junho. Em um vídeo de 27 minutos, Michelle acusou Flávio de tratá-la com rispidez, desrespeitá-la e tentar afastá-la das decisões do PL. A discussão ocorreu depois de ela atacar a aliança da sigla com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Relatos também atribuíram parte do racha à escolha de Flávio como candidato da família sem aviso prévio à ex-primeira-dama.
Flávio pediu desculpas em vídeo, embora tenha negado a intenção de ofendê-la. Em 23 de julho, publicou outro apelo pela participação dela na campanha, e Michelle respondeu que aceitava o pedido. Mesmo assim, ela não compareceu à convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial do senador. No vídeo enviado ao evento, citou o nome dele apenas uma vez.
A adesão de Michelle é tratada pelo PL como estratégica. Em julho, Valdemar Costa Neto reconheceu que Flávio precisava da ex-primeira-dama na campanha, especialmente diante da dificuldade do candidato entre as eleitoras. “É briga de família, mas nós não podemos perder a eleição”, afirmou o presidente do partido na ocasião.
O novo vídeo não apaga o histórico do embate, mas oferece à campanha uma peça para projetar reconciliação e unidade no clã Bolsonaro. A imagem de descontração sucede semanas de acusações, pedidos de desculpas e gestos graduais de aproximação, agora convertidos em material eleitoral.