VÍDEO: Big techs promovem dominação digital e exploração de dados, diz Lula na Índia

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 10:42
O presidente Lula (PT) durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, na Índia, nesta quinta-feira (19). Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) disse nesta quinta-feira (19) que as big techs promovem dominação digital e exploração de dados ao concentrar o controle de algoritmos e infraestruturas globais, apropriando-se de informações de empresas, governos e cidadãos sem retorno equivalente. A declaração foi feita durante discurso na plenária da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Delhi, na Índia.

Segundo Lula, a concentração de poder tecnológico compromete a geração de valor nos países. “Dados estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios. Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, afirmou.

O presidente defendeu a regulação global das plataformas digitais para “salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países”. Ele acrescentou que o atual modelo de negócios dessas empresas se sustenta na exploração de dados pessoais e na monetização de conteúdos que intensificam conflitos.

“O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política. O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”, disse.

Impactos da revolução tecnológica

Lula afirmou também que a regulação internacional é necessária para conter o que chama de “efeitos nefastos” da revolução tecnológica. Embora reconheça avanços da quarta revolução industrial na produtividade, nos serviços públicos, na medicina e nas áreas de segurança alimentar e energética, destacou riscos como “o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho”.

Para o presidente, a inteligência artificial pode aprofundar desigualdades históricas entre pessoas e países se não houver regras claras.

Papel da ONU na governança da IA

Lula afirmou ainda que o Brasil participa de iniciativas internacionais sobre o tema, incluindo debates promovidos pelo G7 e pela China, mas defendeu que a Organização das Nações Unidas deve liderar a governança global da inteligência artificial.

“Participamos da iniciativa da China sobre a criação de uma Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial com foco nos países em desenvolvimento. Dialogamos com a Parceria Global em Inteligência Artificial que nasceu no G7. Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da Inteligência Artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”, declarou.