
O jornalista João Bosco Rabello detonou o economista Henrique Meirelles após ele sair em defesa de Roberto Campos Neto no caso das fraudes do Banco Master. Ex-ministro da Fazenda de Michel Temer (MDB), Meirelles afirmou que seu sucessor na presidência do Banco Central não teria como saber das fraudes, e foi rebatido pelo comentarista de que, se alguém no cargo dele, não sabia das fraudes, ninguém mais deveria saber.
“Esse bônus tem que valer para todos”, afirmou, mencionando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para exemplificar a ausência de responsabilidade.
“Em relação ao Banco Central na crise do Master, eu concordo com a posição defendida na CPMI, defendida pelo [atual presidente do BC, Gabriel] Galípolo, quando ele anunciou que tinha feito uma análise muito forte e concluiu que não tinha havido nenhum tipo de negligência na gestão do Roberto Campos Neto. Isso que eu acho mais importante […] Segundo todas as avaliações do Banco Central, não havia evidências para liquidar o Master, portanto, não há razão para culpar o ex-presidente Roberto”, disse Meirelles.
A fala do economista, no entanto, distorce o depoimento de Galípolo. Diferente de afirmar que a análise não conclui que não houve negligência do bolsonarista Campos Neto, o presidente do BC disse na última quarta-feira (8) que não há auditoria ou sindicância que aponte a culpa do antecessor.
A fala de Meirelles deixou o comentarista Rabello irritado em live com Guga Noblat, pelo Metrópoles. “Ele é um orador dos melhores, mas é visível a dificuldade dele em exercer esse dom, o que acontece quando a pessoa está defendendo algo em que não acredita”, disse, sugerindo que o economista saiba da culpa de Campos Neto no caso Master.
“Ele está ali cumprindo uma missão. Mas, de todo caso, se o que ele fala faz sentido, ou seja, que o Campos Neto de nada sabia, esse bônus não deve valer a pena para Campos Neto, mas para todos os demais sob suspeita”, ironizou antes de questionar: “Se o presidente do Banco Central não desconfiava, não encontrava evidências de qualquer crime no Master, qual de nós mortais pode ser culpado de alguma coisa por confiar no Master de alguma maneira?”
Veja o momento da fala: